Lula detalha plano de segurança com três eixos no Rio de Janeiro
Presidente apresentou uma estratégia piloto no Rio de Janeiro baseada no combate à logística do crime, na retomada de territórios dominados por facções e no fortalecimento das guardas municipais. Plano também prevê transformar 138 presídios sob influência criminosa em unidades de segurança máxima.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou, em 18 de setembro de 2026, os três eixos de sua estratégia para a segurança pública. Apresentado como um plano piloto no Rio de Janeiro, o programa combina ações federais, estaduais e municipais para reduzir a circulação de grupos criminosos, recuperar áreas dominadas por facções e ampliar a capacidade operacional das cidades.
A iniciativa foi anunciada durante uma ação de segurança na capital fluminense e reforça um tema que ocupa lugar central no debate político nacional. Ao defender o Rio como ponto de partida, Lula afirmou que a experiência poderá servir de referência para outros estados caso apresente resultados consistentes.
Pressão sobre rotas e fronteiras
O primeiro eixo busca sufocar a logística e a mobilidade do crime organizado. Em articulação com o governo do estado, a estratégia prevê fiscalização nas divisas do Rio de Janeiro com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além de policiamento integrado nos principais corredores de circulação da região metropolitana.
Estão incluídas nesse esforço a Avenida Brasil, as Linhas Vermelha e Amarela, a região portuária e o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A proposta é dificultar o transporte de armas, drogas e outros insumos usados por facções, combinando inteligência policial com presença ostensiva em pontos estratégicos.
Retomada de territórios dominados por facções
O segundo eixo trata da reocupação de áreas controladas pelo crime organizado. O plano prevê o uso de inteligência artificial, apoio tático, inteligência financeira e ações contra mercados ilegais mantidos por grupos criminosos. Para Lula, essa é a etapa mais complexa, pois exige mais do que operações pontuais: é necessário impedir o retorno das facções após a saída das forças de segurança.
A preocupação central é restaurar a presença do poder público em bairros onde moradores enfrentam restrições impostas por criminosos, incluindo cobranças abusivas sobre serviços e produtos básicos. A estratégia reconhece que a retomada territorial só tende a se sustentar se vier acompanhada de monitoramento permanente e de ações contra o financiamento das organizações criminosas.
Guardas municipais ganham papel central
O terceiro eixo concentra-se na capacitação dos municípios. A proposta federal é oferecer treinamento em inteligência e atuação policial para que as guardas municipais possam assumir funções mais estruturadas na prevenção e no enfrentamento da criminalidade.
No Rio de Janeiro, o acordo firmado durante o lançamento prevê 386 novos integrantes da Guarda Municipal treinados pela Polícia Rodoviária Federal, somados aos 600 agentes já formados. A Força Municipal, apresentada como unidade de elite da corporação, atua em 14 áreas da cidade e registrou mais de 1.200 prisões sem disparos, conforme dados divulgados pelo prefeito Eduardo Cavalcante (PSD).
Investimento para retirar presídios do controle de facções
Lula também anunciou a intenção de investir R$ 10 bilhões, em parceria com os estados, para transformar 138 cadeias sob domínio ou forte influência de facções em unidades de segurança máxima. O programa prevê bloqueadores de telefones, fortalecimento da inteligência penitenciária e medidas para impedir que visitantes ou profissionais autorizados sirvam como intermediários de ordens criminosas.
O presidente criticou o uso recorrente da Garantia da Lei e da Ordem, modelo em que o Exército atua temporariamente em apoio à segurança pública. Em sua avaliação, intervenções passageiras não resolvem o problema quando as forças se retiram e as facções recuperam o controle das áreas. A alternativa defendida pelo governo é manter policiamento permanente, com atuação policial durante os 365 dias do ano.
O sucesso do plano dependerá da coordenação entre instituições, da continuidade das ações e da capacidade de transformar ganhos operacionais em presença permanente do Estado. O Rio de Janeiro será o primeiro laboratório da proposta, que pretende conciliar repressão qualificada, controle financeiro, ocupação territorial e fortalecimento das polícias municipais.
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