Lula defenderá cooperação internacional contra o crime na ONU
Presidente deve destacar acordos bilaterais e propostas contra crimes ambientais durante discurso de abertura da 81ª Assembleia da ONU. Agenda ocorre após críticas de Donald Trump ao combate do Brasil ao PCC e ao Comando Vermelho.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usará seu discurso na abertura da 81ª Assembleia da Organização das Nações Unidas, em 22 de setembro, para defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado. A fala, marcada para Nova York, também reforçará a oposição à interferência estrangeira em assuntos internos e a importância do multilateralismo nas relações entre países.
Acordos bilaterais serão destaque
A cooperação com nações vizinhas e com os Estados Unidos será apresentada como parte dos esforços do governo brasileiro para enfrentar organizações criminosas. A proposta busca ampliar a troca de informações, a atuação conjunta e mecanismos capazes de dificultar o tráfico de drogas, o lavamento de dinheiro e outras atividades de grupos que operam além das fronteiras nacionais.
Brasil apresentará proposta sobre crimes ambientais
A delegação brasileira também levará à ONU uma negociação preliminar de protocolo voltado ao combate de crimes ambientais. O tema aproxima duas prioridades da diplomacia do governo: a preservação ambiental e o enfrentamento de redes criminosas envolvidas em garimpo ilegal, desmatamento, exploração irregular de recursos naturais e formação de estruturas econômicas ilícitas.
Discurso ocorre após críticas de Trump
A agenda ganha relevo político após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em 15 de setembro que o governo Lula falhou no enfrentamento do PCC e do Comando Vermelho. Trump disse que as duas organizações transformaram o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína”. A avaliação foi rejeitada pelo governo brasileiro, que defende uma resposta coordenada entre países produtores, consumidores e rotas do narcotráfico.
Não há reunião bilateral agendada
Não está previsto um encontro formal entre Lula e Trump. A possibilidade de uma conversa espontânea durante a abertura da Assembleia, no entanto, não é descartada. Em 2025, os dois presidentes se encontraram pela primeira vez no mesmo contexto institucional, quando Lula discursou antes de Trump.
Lula se reunirá com Guterres
Antes do discurso, Lula deve conversar com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Entre os temas da reunião está a reforma do Conselho de Segurança, pauta defendida historicamente pelo Brasil. Também existe a possibilidade de um encontro com Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.
Lula chega aos Estados Unidos em 20 de setembro e retorna ao Brasil no dia 22. A comitiva presidencial será menor que a de anos anteriores e contará com as ministras Esther Dweck, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. Nas agendas restantes, o presidente será representado pelo chanceler Mauro Vieira.
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