Lula defende investigações sem blindagem em programa eleitoral
Em transmissão eleitoral, presidente afirmou que todos devem ser investigados “sem blindagem de ninguém”. A mensagem foi exibida após a divulgação de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, mas Lula não citou nominalmente o ministro do STF.

Divulgação
Lula defende investigação sem exceções
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender que investigações envolvendo autoridades e agentes privados sejam conduzidas sem privilégios. Durante o programa eleitoral gratuito exibido neste sábado, 12 de setembro de 2026, Lula afirmou que é fundamental apurar a conduta de todos, “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
A declaração reforça um discurso já adotado pelo petista em momentos de tensão política: o de que instituições de investigação e Justiça devem atuar independentemente de cargo, influência ou alinhamento partidário. A fala ganhou relevância após a Polícia Federal revelar a existência de mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Referência aparece na legenda do vídeo
Lula não mencionou Alexandre de Moraes pelo nome durante sua fala. A associação com o ministro e com Vorcaro apareceu apenas na legenda exibida no material de campanha. A escolha reforçou o contexto político da transmissão sem transformar a declaração em um ataque direto e nominal ao integrante do STF.
Documentos apresentados após a revelação das mensagens indicam que Moraes teve acesso a uma minuta de contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Metadados apontam que o ministro abriu o arquivo e realizou alterações. A defesa do escritório afirma, porém, que ele foi consultado apenas para verificar a possibilidade de algum impedimento legal.
Campanha retoma crise entre Bolsonaro e a PF
O programa eleitoral também comparou o episódio com a relação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a Polícia Federal. A campanha exibiu imagens de uma reunião ministerial em que Bolsonaro afirmou que pretendia trocar o comando da corporação antes que investigações atingissem sua família.
A peça destacou ainda que Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, teria pedido R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, obra que conta a história de Jair Bolsonaro. Ao reunir esses episódios, a campanha procurou contrapor a defesa de Lula por investigações sem privilégios a acusações anteriores de tentativa de interferência em órgãos federais.
A mensagem reforça a tentativa do presidente de ocupar o centro do debate institucional em um momento de novas controvérsias envolvendo autoridades, empresas e investigações federais. A ausência de menção nominal a Alexandre de Moraes permite diferentes leituras políticas, mas mantém o recado central da campanha: a investigação deve alcançar todos os envolvidos, independentemente de posição ou poder.
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