Datafolha: 76% dos brasileiros veem poder excessivo em ministros do STF
Pesquisa Datafolha aponta que 76% dos brasileiros consideram excessivo o poder dos ministros do STF, enquanto 71% entendem que a Corte é essencial para a democracia. Os resultados permanecem praticamente estáveis desde abril, apesar da crise institucional envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes.

Divulgação
Percepção de excesso convive com reconhecimento da Corte
Uma pesquisa Datafolha revela que 76% dos brasileiros consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal têm poder excessivo. Ao mesmo tempo, 71% avaliam que o STF é essencial para a democracia no país. Os números mostram uma opinião pública que separa a importância institucional da Corte da forma como seus integrantes exercem o poder.
Outros 77% afirmam que a população confia menos no tribunal atualmente do que no passado. O conjunto de resultados indica que a desconfiança cresceu, mas não eliminou o reconhecimento da função do STF dentro do sistema democrático brasileiro.
Resultados permanecem estáveis desde abril
O levantamento foi realizado entre 8 e 10 de setembro de 2026, com 2.002 eleitores em 125 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Os índices são praticamente iguais aos registrados em abril de 2026, quando o Datafolha fez as mesmas perguntas. A estabilidade sugere que a crise institucional envolvendo o tribunal ainda não provocou uma mudança significativa na percepção pública, embora a coleta tenha ocorrido antes de todos os desdobramentos do conflito.
Disputa interna marcou o período da pesquisa
O STF enfrenta uma disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O embate ganhou nova dimensão em 1º de setembro, quando Mendonça divulgou um relatório sobre relações entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso e investigado por supostas fraudes envolvendo carteiras de investimento.
O documento cita um contrato de R$ 131 milhões firmado entre Vorcaro e o escritório da mulher de Moraes. Também registra mensagens em que o ex-banqueiro questionava se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso. O relatório não aponta resposta de Moraes a essas mensagens.
Moraes questionou a legalidade das medidas adotadas por Mendonça. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de inteligência da corporação. O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu as decisões e marcou uma sessão para discutir a conduta de Moraes em 15 de setembro.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, declarou apoio a Mendonça. Durante o ato de 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo, ele associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Alexandre de Moraes e afirmou que votar em Lula equivaleria a apoiar o ministro. Esses episódios compõem o cenário político-institucional em que a pesquisa foi realizada, mas os dados não permitem estabelecer uma relação direta de causa entre a crise e a opinião dos entrevistados.
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