Lula critica resistência masculina a exames e fala sobre 'toque' em mulheres
Presidente, em discurso em Belém, comparou a relutância masculina em realizar exames de próstata com a rotina feminina de exames ginecológicos, gerando críticas e repercussão.

Divulgação
Em um comício realizado em Belém, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma declaração que gerou repercussão e críticas de setores da oposição. Ao abordar a importância da prevenção contra o câncer de próstata e a realização de exames, Lula comparou a resistência masculina ao toque retal com a forma como as mulheres, segundo ele, aprendem desde cedo sobre exames ginecológicos.
A fala ocorreu em um contexto em que o presidente celebrava a realização da primeira cirurgia robótica de próstata na região Norte do país. Lula enfatizou a necessidade de desmistificar o exame de próstata, apontando que muitos homens evitam a consulta por receio ou por uma percepção cultural de fragilidade. Ele exemplificou essa diferença ao dizer que "as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas", em contraste com a postura de alguns homens que, segundo ele, "é cheio de trejeitos" e desconhecem que a detecção precoce do câncer pode envolver o exame.
Críticas e esclarecimentos após declaração
A declaração do presidente rapidamente se espalhou pelas redes sociais e foi alvo de críticas por parte da oposição. Em resposta à repercussão, o presidente, em um ato posterior em Salvador, esclareceu que sua menção ao "toque" se referia a exames de saúde em geral, incluindo os ginecológicos. Lula chegou a chamar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de "canalha" e acusou o congressista de distorcer suas palavras para criar uma narrativa falsa. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também se manifestou, utilizando termos duros contra o deputado e o responsabilizando pela polêmica.
Campanha do PT defende fala e aponta desinformação
A campanha do presidente Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra publicações do deputado Nikolas Ferreira sobre o tema e divulgou uma nota oficial para esclarecer o posicionamento. Segundo o comunicado, a fala de Lula "obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem". A nota também atribuiu a repercussão negativa a uma tentativa do "campo bolsonarista" de deturpar as declarações presidenciais, citando como possível motivação o desespero com pesquisas eleitorais e a tentativa de desviar o foco de denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro. A campanha reiterou que a estratégia é mais uma ação do chamado "Gabinete do Ódio Bolsonarista" para alimentar a desinformação.
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