Lula afirma que há 5 ministros do STF ligados ao caso Master
Presidente defendeu a apuração das relações envolvendo ministros do STF antes de uma reforma no Judiciário e pediu julgamento conjunto dos casos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18 de setembro de 2026) que há cinco ministros do Supremo Tribunal Federal ligados direta ou indiretamente ao caso do Banco Master. Lula não informou os nomes dos magistrados aos quais se referia, mas defendeu a apuração das relações antes da aprovação de uma reforma no Poder Judiciário.
Durante entrevista à Super Rádio Tupi, o presidente disse que é necessário resolver o impasse envolvendo a Corte. Ele também criticou o contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o banco e questionou relações atribuídas a Dias Toffoli. Ao falar sobre André Mendonça, afirmou que o ministro teria retido informações sobre o caso.
Lula disse ainda que ministros e parte da imprensa já têm acesso a materiais sobre o assunto. Ao defender mudanças na forma de atuação do Judiciário, afirmou que quem pretende chegar à Suprema Corte não deve ter como objetivo enriquecer. Parte da responsabilidade pelo episódio foi atribuída por ele ao governo de Jair Bolsonaro, período em que Daniel Vorcaro, hoje preso, ganhou projeção no setor financeiro.
Investigação sobre Alexandre de Moraes
A Polícia Federal identificou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um contato atribuído a Alexandre de Moraes. O relatório também cita dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com valores líquidos que podem chegar a R$ 158 milhões. Moraes contesta as conclusões do documento e sustenta que os contratos são legais.
O STF começou a analisar em 15 de setembro a abertura de uma investigação sobre o caso. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, medida que pode adiar a decisão por até 90 dias. A análise será determinante para definir se haverá apuração formal sobre as informações apresentadas pela polícia.
Relações atribuídas a outros ministros
Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em 12 de fevereiro de 2026 após questionamentos públicos. As suspeitas envolvem sua participação na empresa familiar Maridt e uma transação relacionada ao resort Tayayá. Um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, adquiriu parte da participação da empresa. O gabinete de Toffoli afirma que ele nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel. O STF considerou inepto o relatório da PF sobre o episódio, e o ministro se declarou suspeito no julgamento envolvendo Moraes.
André Mendonça assumiu a relatoria por sorteio e confirmou um encontro com Vorcaro em março de 2025. Seu gabinete informa que a conversa tratou de precatórios de interesse do banco e que o ministro votou contra o Master. Em 15 de setembro, Flávio Dino pediu ao ministro Luiz Edson Fachin a apuração das relações entre Mendonça, o Instituto Iter e Vorcaro. Fachin adiou a análise do pedido.
Menções envolvendo Luiz Fux e Nunes Marques
Mensagens relacionadas a Luiz Fux mostram o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro, orientando Vorcaro a enviar um e-mail também à secretaria do pai no STF. Luiz Fux nega qualquer relação com o banqueiro e diz nunca tê-lo encontrado. O escritório de Rodrigo afirma não ter prestado serviços nem recebido valores dele.
Já mensagens atribuídas a Vorcaro e ao então diretor jurídico do Banco Master citam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. O conteúdo não comprova, por si só, que os valores foram pagos. A assessoria de Kevin informa que ele recebeu R$ 281,6 mil de uma consultoria por serviços tributários sem relação com o STF. Nunes Marques nega que o filho tenha trabalhado para o banco e se declarou impedido no julgamento sobre Moraes.
Presidente pede julgamento no mesmo dia
Na quinta-feira (17 de setembro), Lula defendeu que o STF julgasse no mesmo dia os processos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Para o presidente, analisar os casos em datas diferentes poderia representar tratamento desigual entre membros da Corte. O pedido ainda depende de decisão dos ministros.
Embora Lula tenha citado cinco integrantes do STF, não explicou a quem se referia. Publicamente, ao menos cinco ministros aparecem em episódios distintos ligados ao caso Master: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. As situações têm naturezas diferentes e as acusações continuam sendo contestadas, cabendo ao STF avaliar documentos, eventuais conflitos de interesse e a existência de irregularidades.
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