Lula acusa governo Bolsonaro de permitir formação de “quadrilha” no INSS
Em comício em Maceió, presidente defendeu sua gestão e afirmou que o esquema de descontos não autorizados foi descoberto e combatido por seu governo; investigações da PF abrangem 2019 a 2024.

Divulgação
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (24), em Maceió, que o governo de Jair Bolsonaro (PL) permitiu a formação de uma “quadrilha” no INSS. Lula disse ainda que sua gestão identificou o esquema, promoveu a prisão dos envolvidos e devolveu valores a aposentados atingidos por descontos irregulares.
A fala ocorreu durante um ato de campanha na Praça Marechal Deodoro, no centro da capital alagoana, a dez dias do primeiro turno das eleições. Diante de aliados, o presidente transformou as investigações sobre o instituto em uma comparação direta entre sua administração e a do antecessor.
Acusação feita durante campanha
“Você tem que escolher entre alguém que montou uma quadrilha no INSS ou alguém que prendeu a quadrilha, que fomos nós”, declarou Lula. Ele sustentou que o esquema teria sido criado em 2019 e que as autoridades responsáveis por desarticulá-lo agiram durante seu governo. A declaração integra a disputa eleitoral por apoio popular nas semanas finais da campanha.
Lula informou que sua gestão devolveu R$ 3,5 bilhões a 5 milhões de aposentados afetados por fraudes. Também afirmou que R$ 6 bilhões em bens ligados aos investigados foram alcançados pelas autoridades. O presidente não apresentou novos detalhes operacionais durante o discurso.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal investiga suspeitas de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. As apurações em andamento indicam que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Como esse período inclui os governos de Bolsonaro e Lula, a responsabilidade política pelo caso virou alvo de disputa entre governo e oposição.
Em julho, a PF indiciou 48 pessoas em um dos inquéritos, entre elas ex-dirigentes do INSS e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O indiciamento é uma etapa da investigação e não equivale a condenação, pois cabe ao Poder Judiciário avaliar as provas e decidir sobre a responsabilidade criminal de cada acusado.
CPI do INSS sem relatório final
A CPI do INSS, instalada em 20 de agosto de 2025, encerrou os trabalhos na madrugada de 28 de março de 2026 sem aprovar um relatório final. O parecer apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12. Governistas chegaram a apresentar um texto alternativo que relacionava mudanças adotadas no governo Bolsonaro às condições que teriam facilitado as fraudes, mas o documento não foi colocado em votação.
Campanha reúne aliados em Alagoas
O comício contou com nomes do MDB alagoano, como o candidato ao governo Renan Filho, o governador Paulo Dantas e o senador Renan Calheiros. Antes de Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva pediu votos ao presidente, criticou Flávio Bolsonaro (PL) e comentou as investigações sobre o Banco Master.
Ao encerrar a fala, Lula pediu votos para candidatos aliados à Câmara dos Deputados, às assembleias legislativas e ao Senado. Ele argumentou que precisa eleger congressistas de seu campo político para formar uma base de apoio caso conquiste um novo mandato.
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