Kássio nega relação com Banco Master e afirma ter “absoluta isenção”
Kássio Nunes Marques negou vínculo com o Banco Master, contato com Daniel Vorcaro e prestação de serviços do filho à instituição. Ministro também anunciou que se considera impedido de votar no julgamento sobre a possível investigação de Alexandre de Moraes.

Divulgação
O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta terça-feira (15 de setembro de 2026) qualquer relação com o Banco Master e afirmou ter “absoluta isenção” para atuar em processos ligados à instituição financeira e ao seu fundador, Daniel Vorcaro.
Durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, Kássio disse nunca ter julgado processo envolvendo o Master. Também negou que seu filho, Kevin Nunes Marques, tenha prestado serviços ou recebido pagamentos do banco. Segundo o ministro, ele jamais trocou mensagens com Vorcaro e não há registros de comunicação entre ambos.
O nome de Kevin passou a circular nas informações divulgadas sobre o caso Master. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários indicaram que os investimentos do filho do ministro em fundos saltaram de R$ 5 milhões para R$ 27 milhões em 2025. Kássio afirmou que seu sigilo bancário já foi quebrado e que os dados disponíveis permitem conferir as informações sobre seu patrimônio.
Isenção defendida com base em votos
Para sustentar sua independência, Kássio citou decisões anteriores favoráveis à prisão de Vorcaro, de seu pai e de outras pessoas investigadas no caso. “Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão”, declarou durante a sessão.
Apesar de defender sua isenção no caso Master, o ministro anunciou que se considera impedido de participar do julgamento sobre Alexandre de Moraes. Kássio argumentou que a questão pode产生影响 no cenário político-eleitoral e afirmou não se sentir à vontade para votar a 19 dias das eleições.
STF analisa investigação sobre Alexandre de Moraes
O plenário do Supremo avalia se a Polícia Federal poderá prosseguir com apurações sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, investigado como líder de um esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. O relatório policial identificou interlocuções entre eles e apontou que o empresário teria pedido interferência nas investigações antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
O documento também indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF. A Procuradoria-Geral da República, porém, questionou a validade do procedimento e sustentou que diligências contra pessoas determinadas não poderiam ter sido adotadas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da Polícia Federal.
Disputa processual alcança André Mendonça
O caso também reacendeu a disputa entre Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master. Moraes pediu a abertura de procedimento contra Mendonça por suposto abuso de autoridade e improbidade administrativa, enquanto a defesa do relator contesta a acusação.
O pedido de Moraes foi inicialmente vinculado ao inquérito das fake news, mas o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria. A controvérsia também envolve a permanência de Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal, mantido no cargo por decisão de Fachin até uma análise mais detalhada.
O julgamento separado sobre a conduta de Mendonça foi marcado para 23 de setembro. Enquanto isso, o plenário do STF segue examinando os limites da investigação envolvendo Moraes e os reflexos do caso Master dentro da Corte.
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