Justiça nega pedido de retratação de Flávio Bolsonaro contra deputados
Juíza de Brasília entende que é preciso analisar provas e ouvir testemunhas antes de decidir sobre vídeo que atribui propostas polêmicas ao senador.

Divulgação
A Justiça do Distrito Federal negou, em caráter liminar, o pedido de retratação feito pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), contra os deputados federais André Janones (Rede-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ). A ação judicial buscava obrigar os congressistas a se retratarem publicamente sobre um vídeo que, segundo a defesa de Flávio Bolsonaro, atribui a ele propostas de mudanças nas regras da Previdência Social e nas condições de trabalho que não constam em seu plano de governo.
Análise da decisão judicial
A decisão, proferida pela juíza Grace Correa Pereira, da 9ª Vara Cível de Brasília, não encerra o processo e não determina se houve dano moral. A magistrada ponderou que é fundamental ouvir os deputados envolvidos e analisar as provas apresentadas antes de qualquer conclusão sobre a veracidade das alegações e eventual abuso na publicação. Os deputados serão citados para apresentar suas defesas em até 15 dias úteis, e o pedido de retratação poderá ser reavaliado no mérito do julgamento.
O conteúdo do vídeo em questão
O vídeo em disputa nas redes sociais, segundo a ação, atribui a Flávio Bolsonaro propostas como o aumento da idade mínima para aposentadoria para 70 anos, a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo, a adoção de jornadas de 12 horas em escala 7×0 e a privatização da Petrobras. A defesa do senador alega que o conteúdo foi replicado em um grupo de WhatsApp com mais de 2 milhões de seguidores, mesmo após ter sido removido do Instagram.
Críticas políticas e limites da liberdade de expressão
Ao negar o pedido liminar, a juíza ressaltou que críticas políticas relacionadas às propostas de um candidato são legítimas no âmbito do debate democrático, desde que não envolvam a divulgação de informações comprovadamente inverídicas. A magistrada considerou que a análise sobre um possível abuso na divulgação de conteúdo exige a oitiva de ambas as partes e a produção de provas, avaliando que uma retratação imediata poderia antecipar o resultado final do processo.
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