José Medeiros afirma que áudio com piada sobre eleitores foi manipulado
Candidato ao Senado por Mato Grosso admite a autoria da frase, mas diz que o trecho foi editado para prejudicá-lo nas vésperas da eleição.

Divulgação
O candidato ao Senado por Mato Grosso, José Medeiros (PL), afirmou que o áudio no qual ironizou seus eleitores foi editado e divulgado fora de contexto. A gravação circulou nas redes sociais nas vésperas das eleições, realizadas em 4 de outubro, e mostrou Medeiros dizendo que seu eleitor "ora para alienígena e bebe detergente". O político reconhece a autoria da frase, mas nega que a versão vazada reproduza a situação em que a piada foi feita.
Medeiros contesta a edição do áudio
Em nova publicação, José Medeiros afirmou que o começo e o final da conversa foram removidos para aumentar a repercussão negativa. Para o candidato, a divulgação parcial buscava provocar rejeição entre seus próprios apoiadores. Ele destacou que não pretende discutir o episódio como um problema de honestidade, mas como uma manobra política feita duas semanas antes da eleição.
"Quem tem o que esconder, vive assim, de cortina de fumaça", disse Medeiros, ao defender que a fala fazia parte de uma "piada antiga". Sua campanha argumenta que o material foi distribuído de forma seletiva para desviar a atenção das denúncias envolvendo integrantes da chapa adversária.
Referências ligadas a manifestações bolsonaristas
A menção a alienígenas remete a imagens de manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizadas após a derrota nas urnas em 2022, nas quais celulares eram apontados para o céu. Já a referência a beber detergente está relacionada a posicionamentos de setores bolsonaristas a favor dos produtos da marca Ypê, cuja produção foi suspensa pela Anvisa em maio.
Medeiros não identificou diretamente a adversária na fala, mas o episódio pode estar relacionado à candidata Janaína Riva (MDB). Ela alterou integrantes da própria chapa, que passou a contar com Rafael Yamada Torres, Aluízio Lima e Ibrahim Zaher. Os nomes já foram mencionados em investigações, situação usada pela campanha de Medeiros para questionar a composição da concorrência.
O candidato alegou ainda que o primeiro suplente da chapa adversária foi alvo de uma CPI e está investigado pela Polícia Federal em conexão com um esquema de fraudes no INSS. Segundo Medeiros, as apurações apontariam rastros financeiros ligados a uma empresa associada ao PCC. As informações foram apresentadas como parte da defesa política do candidato, que afirma não ter sido atingido por acusações capazes de comprometer sua imagem.
Segundo áudio reacende debate sobre o STF
Este não é o primeiro trecho comprometedor a circular durante a campanha. Em gravação divulgada em 21 de setembro, Medeiros afirmou que evita mencionar o STF em seus materiais de campanha. Na mesma conversa, porém, deixou uma exceção para o ministro Alexandre de Moraes, dizendo que aceitaria fazer críticas ao magistrado se isso fosse solicitado.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu José Medeiros ao dizer que ele seria o único candidato conservador de Mato Grosso e que sua atuação contra supostos abusos do STF era exemplar. Para Eduardo, criticar Alexandre de Moraes não equivale a atacar a instituição.
A controvérsia coloca Medeiros no centro de novo episódio de polarização. Enquanto sua campanha apresenta os áudios como cortes manipulados, os trechos reforçam a imagem de um candidato que usa linguagem provocativa para falar com sua base e se posiciona de forma dura contra o STF e seus principais integrantes.
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