Tst decide que greve dos Correios não é abusiva
O Tribunal Superior do Trabalho rejeitou o pedido para classificar a paralisação nacional dos Correios como abusiva, mas determinou que os dias sem trabalho sejam compensados. A greve começou em 10 de setembro após o impasse nas negociações do acordo coletivo.

Divulgação
Decisão do TST
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026) que a greve nacional dos Correios não é abusiva. A Corte, no entanto, determinou a compensação dos dias parados, estabelecendo que a paralisação terá reflexos na jornada da categoria mesmo sem o enquadramento solicitado pela estatal.
A mobilização começou em 10 de setembro, depois que Correios e trabalhadores não conseguiram fechar um acordo nas negociações da convenção coletiva de 2026 e 2027. A paralisação foi conduzida por tempo indeterminado e afetou serviços em diferentes regiões do país.
Plano de saúde no centro do impasse
O principal ponto de divergência está na proposta de alteração do modelo de custeio do CorreiosSaúde. Os trabalhadores rejeitaram a mudança apresentada pela empresa para o acordo coletivo, pois avaliam que a redução da participação dos Correios pode elevar os custos para funcionários, aposentados e dependentes.
A Findect, Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios, orientou a categoria a manter a greve. Para os trabalhadores, a revisão do financiamento do plano de saúde representa perda relevante de direitos e aumenta a pressão sobre quem depende do benefício.
Correios defendem equilíbrio financeiro
Os Correios sustentam que apresentaram uma proposta que preserva 78 das 80 cláusulas do acordo anterior. A estatal também informou que houve recomposição integral de salários e benefícios pelo INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, e defendeu que suas medidas buscam conciliar direitos trabalhistas com a recuperação do equilíbrio financeiro da companhia.
Em 11 de setembro, um dia após o início da paralisação, a direção dos Correios apresentou ao TST um pedido de dissídio coletivo de greve. Na ação, a empresa pediu o encerramento do movimento e a declaração de abusividade da mobilização.
Documentos e prazo de manifestação
O julgamento havia começado em 21 de setembro, mas o ministro Vieira de Mello Filho, presidente do TST, remarcou a análise para esta quinta-feira. Segundo ele, documentos usados pelos Correios para sustentar a abusividade foram anexados ao processo na noite de sexta-feira (18 de setembro), sem tempo suficiente para exame pela parte contrária.
Vieira de Mello Filho avaliou que decidir com base em materiais ainda não analisados pelas federações poderia violar o devido processo legal. Por isso, concedeu prazo de 48 horas para que as entidades que representam os trabalhadores se manifestassem sobre os documentos antes da conclusão do julgamento.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








