O que é a armadilha de Tucídides citada por Xi Jinping
Xi Jinping voltou a usar o conceito para defender cooperação entre China e Estados Unidos. A expressão descreve o risco de conflito quando uma potência emergente ameaça a posição de uma potência estabelecida.

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Durante uma recepção na Casa Branca em 24 de setembro de 2026, o presidente da China, Xi Jinping, voltou a mencionar a armadilha de Tucídides ao falar sobre a relação entre China e Estados Unidos. Ao lado do presidente norte-americano, Donald Trump, Xi defendeu a cooperação entre as duas maiores potências econômicas e militares do mundo.
“As nossas forças armadas devem manter um diálogo regular e aprimorar os mecanismos de comunicação para situações de crise. É possível superar a Armadilha de Tucídides”, afirmou o líder chinês. A declaração reforça o esforço de Pequim para apresentar a contenção e o diálogo como alternativas a um confronto estratégico.
Conceito compara ascensão e domínio
A armadilha de Tucídides descreve a tensão que surge quando uma potência emergente passa a desafiar o domínio de uma potência já estabelecida. O nome foi popularizado pelo cientista político Graham Allison, que se baseou na análise feita pelo historiador grego Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso.
O conflito, travado entre 431 a.C. e 404 a.C., colocou Atenas e Esparta em lados opostos por quase três décadas. Segundo Tucídides, o crescimento de Atenas provocou temor em Esparta, então a principal força da Grécia, que temia perder sua posição de destaque.
Allison aplicou essa lógica à história moderna e identificou 16 episódios dos últimos 500 anos nos quais uma potência em ascensão foi vista como ameaça por uma potência dominante. Em 12 desses casos, a disputa terminou em guerra. Os números, no entanto, indicam um padrão histórico de risco e não uma sentença inevitável.
China e Estados Unidos no centro da análise
Nessa interpretação, a China ocupa o papel de Atenas, em ascensão econômica, tecnológica e militar. Os Estados Unidos representam Esparta, a potência estabelecida que busca preservar sua influência internacional. Xi menciona o conceito desde 2013 para argumentar que o conflito pode ser evitado se ambos os lados agirem com contenção.
Cooperação em tecnologia e comércio
A reunião entre Xi e Trump ocorre em um período de forte competição nas áreas de comércio, inteligência artificial e tecnologia. Os dois países também impõem tarifas um ao outro, medida que amplia as tensões econômicas e dificulta a construção de um ambiente de confiança.
Xi afirmou que os interesses chineses e norte-americanos estão profundamente conectados. “Há amplo espaço para trabalharmos juntos. A cooperação sino-americana pode não resolver todos os problemas do mundo, mas, sem ela, seria difícil solucionar muitos dos desafios globais”, disse o presidente chinês.
Propostas para reduzir tensões
Entre as medidas apresentadas por Xi estão o convite para que 100 mil norte-americanos visitem a China em programas de intercâmbio estudantil e a criação de rotas aéreas diretas entre os dois países. As propostas buscam ampliar o contato entre as sociedades e reduzir percepções negativas.
Trump recebeu Xi e sua esposa, Peng Liyuan, na Casa Branca. O presidente chinês se tornou o primeiro líder de seu país a realizar uma segunda visita de Estado aos Estados Unidos. A visita anterior ocorreu em 2015, durante o governo de Barack Obama, e a nova agenda inclui debates sobre segurança, tecnologia e inteligência artificial.
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