Governo Lula articula assinaturas para acelerar votação da Pec 6x1 no Senado
Senadoras apresentarão requerimento para permitir votação em dois turnos no mesmo dia, buscando aprovação da proposta que visa acabar com a escala de trabalho 6x1.

Divulgação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu um passo importante para agilizar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca extinguir a escala de trabalho 6x1 no Senado. Foi confirmada a obtenção das assinaturas necessárias para a apresentação de um requerimento de calendário especial. Essa medida visa permitir que a proposta seja votada em dois turnos no mesmo dia, um movimento estratégico para acelerar o processo legislativo e viabilizar a votação definitiva da matéria ainda nesta semana.
A expectativa é que o requerimento seja aprovado, abrindo caminho para que a PEC seja submetida à apreciação do plenário do Senado na quarta-feira (14). Camilo Santana, líder do PT no Senado e porta-voz da campanha, detalhou que um grupo de senadoras será o responsável por apresentar o pedido formal. Segundo ele, a intenção é que a votação dos dois turnos ocorra de forma concentrada, otimizando o tempo e a energia legislativa em torno da matéria.
Aceleração do processo legislativo
A aprovação do calendário especial é uma ferramenta regimental utilizada para encurtar prazos e acelerar a tramitação de projetos de lei e propostas de emenda. Sem essa manobra, o Senado estaria sujeito aos prazos regimentais usuais, o que significaria que, mesmo com a aprovação em primeiro turno na quarta-feira, a segunda votação só poderia ocorrer em datas posteriores, após o cumprimento de intervalos obrigatórios. A PEC, para ser aprovada no Senado, necessita de um mínimo de 49 votos favoráveis em cada um dos turnos de votação.
Histórico de articulações e entraves
A tramitação da PEC 6x1 já enfrentou diversos obstáculos. Inicialmente, a expectativa do governo era que a proposta fosse discutida durante o período de esforço concentrado, entre julho e setembro. No entanto, a falta de quórum para votação em plenário impediu que a matéria avançasse além da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu parte dessas dificuldades à oposição, que teria estimulado ausências para barrar a votação. A articulação de figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), foi apontada como decisiva para impedir que a PEC chegasse ao plenário naquele momento.
A PEC permaneceu parada no Senado por aproximadamente três meses, período marcado por um distanciamento entre o presidente Lula e o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A relação se tornou tensa após a rejeição, por parte do Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Eleitoral. A reaproximação entre os dois líderes políticos foi mediada por ministros como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. A negociação para a realização da votação agora é vista como um movimento de Lula para obter o apoio de Alcolumbre, que, por sua vez, precisaria desse respaldo para sua própria reeleição à presidência do Senado.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








