Flávio pediu ajuda a Vorcaro um dia antes da prisão
Mensagens quebradas de sigilo pelo STF mostram que Flávio Bolsonaro procurou Daniel Vorcaro em busca de recursos para Dark Horse um dia antes da prisão do empresário. A Polícia Federal pede investigação sobre o financiamento do filme e a possível participação do senador.

Divulgação
O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu ajuda a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para obter recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O contato ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do empresário.
Na mensagem enviada a Vorcaro, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. O trecho passou a integrar os documentos cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal.
Produção pedia recursos com urgência
O pedido foi feito em um momento de pressão financeira na produção. Dias antes, Flávio havia informado que Dark Horse estava “no limite”. Em troca de mensagens de 22 de outubro, o senador pediu que Vorcaro avisasse caso não pudesse realizar o aporte, para que houvesse tempo de buscar outra alternativa “com urgência”.
A proximidade entre o pedido e a prisão de Vorcaro aumenta a relevância das comunicações apuradas pela Polícia Federal. A investigação busca estabelecer a origem dos recursos, a forma de repasse e o papel de cada envolvido nas tratativas sobre o financiamento da obra cinematográfica.
PF pede apuração de possíveis crimes
Os documentos foram liberados em 11 de setembro de 2026 pelo ministro André Mendonça, do STF, atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Entre eles está o inquérito que examina o financiamento de Dark Horse e a atuação de Flávio Bolsonaro nas negociações com Vorcaro.
A Polícia Federal solicitou a abertura de investigação para apurar a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento do filme. Segundo a corporação, Flávio não aparece apenas citado por terceiros, mas como interlocutor direto de Vorcaro, com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações.
Caso segue sob apuração
A PF sustenta que há elementos suficientes para examinar a participação do senador nas tratativas financeiras. As acusações, no entanto, ainda precisam ser investigadas e submetidas à análise da Justiça. A quebra de sigilo amplia o acesso às provas reunidas e poderá influenciar os próximos desdobramentos do caso.
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