Ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro repassou R$ 1 milhão à produtora de 'Dark Horse'
Marcello Lopes afirmou que transferiu R$ 1 milhão à Go Up Entertainment a pedido do deputado Mario Frias. A Polícia Federal analisa a origem dos recursos e a relação entre as movimentações financeiras e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Divulgação
Marcello Lopes, o Marcelão, ex-marqueteiro ligado à campanha de Flávio Bolsonaro e amigo do senador, transferiu R$ 1 milhão à Go Up Entertainment, produtora de Karina Gama responsável pelo filme 'Dark Horse', inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação integra a investigação sobre o uso de emendas parlamentares e o financiamento da produção cinematográfica.
Pedido atribuído a Mario Frias
Marcello Lopes afirmou que o repasse foi feito a pedido do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Ao comentar a transferência, o ex-marqueteiro disse: “Mario Frias que pediu, estava desesperado”. A declaração passou a integrar o conjunto de informações examinado pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal.
A decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a operação deflagrada em 10 de setembro de 2026 cita o pagamento de R$ 1 milhão. A medida permitiu a realização de buscas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias e Karina Gama estão entre os alvos da investigação.
Transferência ocorreu antes do contrato
O dinheiro foi enviado à Go Up Entertainment em dezembro de 2025. Segundo Marcello Lopes, porém, o contrato com a produtora somente foi assinado em junho de 2026, seis meses depois da transferência. A diferença entre o pagamento e a formalização do contrato é um dos pontos que exigem esclarecimento no inquérito, embora a cronologia, por si só, não demonstre a existência de irregularidade.
Movimentações coincidiram com as filmagens
A produtora movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Entre os principais valores recebidos no período estavam R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil enviados diretamente por Mario Frias. A Go Up também havia prestado serviços à campanha eleitoral do deputado em 2022.
As filmagens de 'Dark Horse' ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. A Polícia Federal destacou a coincidência entre esse período, as entradas de recursos na conta da produtora e despesas com hotelaria, alimentação e serviços de produção. Entre os pagamentos realizados pela empresa, um deles, de R$ 906,7 mil, foi destinado ao Hotel Unique, na capital paulista.
PF questiona origem dos recursos
A investigação registra que Mario Frias tinha rendimentos mensais de R$ 44.008,52. Para a Polícia Federal, os valores enviados à produtora em menos de 60 dias são “materialmente incompatíveis” com a renda declarada pelo deputado e com os créditos identificados nas contas bancárias examinadas. A corporação questiona o lastro financeiro das transferências e avalia se Frias teve participação ativa na circulação dos recursos.
O fluxo investigado também envolve R$ 2 milhões destinados ao Instituto de Cultura Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, por meio de duas emendas apresentadas pelo deputado. Posteriormente, R$ 700 mil do instituto foram encaminhados à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional por meio de termo de fomento. A NTT Brasil, integrante do mesmo grupo empresarial, transferiu outros R$ 750 mil à Go Up Entertainment.
Buscas fazem parte de investigação mais ampla
Flávio Dino autorizou 49 mandados de busca e apreensão e determinou que os investigados não se comuniquem entre si. As diligências permanecem vinculadas a um inquérito do STF sobre possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares. A apuração investiga suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
Karina Gama também preside a Academia Nacional de Cultura. Até a conclusão da apuração, o gabinete de Mario Frias não havia respondido aos pedidos de manifestação. Foram feitas tentativas de contato com Karina Gama e Marcello Lopes, mas não foram localizados canais válidos para apresentar o teor da investigação e recolher suas versões.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








