Empresária ligada a “Dark Horse” comprou Byd com dinheiro vivo
Karina Ferreira da Gama, responsável pela GoUp Entertainment, quitou em espécie um BYD Song Plus de R$ 102.190. O pagamento foi comunicado pelo Coaf e integra o conjunto de informações examinadas na investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.

Divulgação
A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela GoUp Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, comprou um veículo da BYD e quitou a transação integralmente em dinheiro vivo. O pagamento de R$ 102.190 chamou a atenção do Coaf e passou a compor as informações analisadas na investigação sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Compra foi realizada em São Paulo
O negócio foi fechado em 13 de janeiro de 2025 com a CMD BD Comércio de Automóveis Elétricos Ltda, concessionária localizada em São Paulo. O carro é um BYD Song Plus 1.5 16V automático híbrido, modelo 2025. A Tabela Fipe mencionada no processo atribui ao veículo o valor de R$ 184.858, mas o preço efetivamente pago foi de R$ 102.190.
A diferença entre o valor da transação e a cotação de referência não demonstra, por si só, qualquer irregularidade. Condições comerciais, estado do veículo, políticas da concessionária e outros fatores podem influenciar o preço final. O ponto que despertou atenção das autoridades foi a forma de pagamento, realizada totalmente em espécie.
Coaf registrou a operação em dinheiro
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras comunicou a operação às autoridades. A decisão que autorizou a operação Make Up destaca que a compra motivou o registro justamente por ter sido paga com valores totais em espécie. Comunicações desse tipo fazem parte dos mecanismos de monitoramento de operações financeiras e podem ser usadas para identificar movimentos incomuns, sem representar, necessariamente, prova de crime.
Operação investiga o financiamento de “Dark Horse”
A Polícia Federal deflagrou em 10 de setembro de 2026 a operação Make Up para apurar o financiamento do filme. A produção-executiva é atribuída a Mário Frias, e as investigações também examinam a possível utilização irregular de emendas ao Orçamento para bancar a obra.
As apurações surgiram como desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. Mensagens extraídas de aparelhos apreendidos na investigação anterior passaram a ser analisadas porque conteriam referências ao financiamento da produção. Em um dos áudios, o senador Flávio Bolsonaro aparece solicitando recursos ao ex-banqueiro para a produção do filme.
STF acompanha duas investigações sobre o caso
O Supremo Tribunal Federal analisa o episódio em dois inquéritos distintos. Um deles, conduzido pelo ministro André Mendonça, investiga fraudes relacionadas ao Banco Master e também busca esclarecer a origem dos recursos usados no filme. O outro, sob relatoria de Flávio Dino, examina suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares.
A defesa de Mário Frias questionou a competência do inquérito relatado por Dino e sustentou que o processo deveria permanecer com André Mendonça. A discussão jurídica ocorre em um cenário politicamente sensível, já que o financiamento de “Dark Horse” se tornou tema de repercussão nacional e envolve aliados de Jair Bolsonaro em um momento de disputa eleitoral.
As investigações ainda precisam estabelecer a origem dos recursos, a regularidade dos pagamentos e a eventual participação de agentes públicos ou privados em eventuais irregularidades. Até que haja conclusão das apurações e decisão judicial definitiva, as suspeitas não podem ser tratadas como condenação.
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