De promotor ao STF: quem é Alexandre de Moraes
O STF analisa se autoriza a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes após relatório da Polícia Federal apontar proximidade com Daniel Vorcaro. O perfil relembra a trajetória do ministro no Ministério Público, nos governos de São Paulo e Michel Temer e no comando de casos relevantes da Corte.

Divulgação
O Supremo Tribunal Federal analisa nesta terça-feira (15) se autoriza a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, ministro da Corte há quase uma década. O exame ocorre depois que um relatório da Polícia Federal apontou proximidade e troca de mensagens entre o magistrado e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, até a data da primeira prisão do banqueiro, relacionada a um caso de fraude financeira e outros crimes.
A relação entre Moraes e Vorcaro ganhou contornos públicos em dezembro de 2025, com informações sobre um contrato milionário firmado entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A decisão do plenário definirá se há base para uma apuração formal; a autorização do inquérito, por si só, não representa conclusão sobre eventual irregularidade.
Formação e entrada no Ministério Público
Alexandre de Moraes, de 57 anos, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, em 1990, na mesma turma de Dias Toffoli. No ano seguinte, ficou em primeiro lugar em concurso para o Ministério Público de São Paulo e atuou como promotor de Justiça até 2002, com passagens por Aguaí, Cruzeiro, São Bernardo do Campo e pela capital paulista.
Em 2002, aos 33 anos, assumiu a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do governo de Geraldo Alckmin, então no PSDB, tornando-se o mais jovem a ocupar o cargo até então. Permaneceu na função até 2005. Dois anos depois, ingressou na equipe de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo como secretário municipal de Transportes e, a partir de 2009, acumulou a pasta de Serviços. Deixou o governo municipal em junho de 2010.
Segurança pública e governo federal
Moraes retornou ao Palácio dos Bandeirantes em 2015, novamente no governo Alckmin, para comandar a Secretaria da Segurança Pública. Sua gestão foi marcada por promessas de endurecimento das regras de segurança e por críticas relacionadas à atuação policial em protestos e atos políticos. Também houve questionamentos sobre sua atuação como advogado de uma cooperativa de transporte investigada por ligações com o Primeiro Comando da Capital; ele afirmou à época que representava a cooperativa em processos civis e administrativos e não prestou serviços a pessoas investigadas por crimes organizados.
Em maio de 2016, com Michel Temer na Presidência, Moraes assumiu o Ministério da Justiça. Deixou o cargo em fevereiro de 2017, quando foi indicado para o Supremo Tribunal Federal. Ele ocupou a vaga de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em Paraty, no Rio de Janeiro, e tomou posse em março daquele ano. A indicação recebeu críticas de setores da esquerda devido à proximidade política de Moraes com o PSDB e o MDB, além de sua passagem recente pelo governo Temer.
Fake news, eleições e novo teste institucional
Em março de 2019, Dias Toffoli, então presidente do STF, designou Moraes relator do inquérito das fake news, criado para apurar notícias falsas, ameaças e calúnias contra a Corte, seus ministros e familiares. O procedimento despertou debate porque foi aberto de ofício pela Presidência do STF, sem sorteio de relator, e envolveu uma atividade investigativa normalmente associada à Polícia Federal e ao Ministério Público.
No mesmo ambiente, Moraes incluiu Elon Musk entre os investigados do inquérito das milícias digitais, relacionado ao caso das fake news, por supostas condutas contra a democracia. O procedimento permanece aberto e inconcluso. Em agosto de 2022, o ministro assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral e defendeu que a liberdade de expressão não pode ser confundida com a destruição da democracia. Sob sua gestão, o TSE aprovou a Resolução 23.714, que ampliou instrumentos contra desinformação eleitoral e previu remoção rápida de conteúdos falsos ou gravemente descontextualizados sobre votação e totalização de votos.
A trajetória de Moraes combina passagens pelo Ministério Público, por secretarias estaduais e municipais, pelo governo federal e pelo Judiciário. Agora, a análise do STF sobre a possível investigação transforma seu nome novamente em centro de debate sobre independência institucional, responsabilidade funcional e limites entre atuação pública e relações privadas.
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