Dark Horse teria recursos de fundo ligado ao Pcc, diz Durigan
Ministro da Fazenda afirmou que recursos usados no exterior para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro teriam passado por uma estrutura que também recebia dinheiro do crime organizado. Operação investiga movimentação atípica de R$ 11,6 bilhões.

Divulgação
Declaração foi feita durante operação sobre lavagem de dinheiro
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, que tudo indica que os recursos usados no exterior para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, passaram por uma estrutura que também movimentava dinheiro do crime organizado. Segundo ele, recursos de origens distintas teriam sido reunidos no chamado “mesmo bolso”.
A declaração foi feita durante a apresentação da terceira fase da operação Carbono Oculto, denominada Crédito Oculto. A ação conta com a participação da Receita Federal, do Ministério Público de São Paulo e de outros órgãos de investigação. O trabalho apura um esquema de lavagem de dinheiro com movimentação atípica estimada em R$ 11,6 bilhões.
Investigação aponta circulação por fundos e contas-bolsão
De acordo com as investigações apresentadas pelo ministro, o dinheiro circulou por fundos de investimento em participações, fundos multimercado e contas-bolsão. O esquema utilizava instituições do sistema financeiro legal para dar aparência de regularidade às operações, dificultando a identificação da origem e do destino final dos valores.
Durigan disse que o Grupo Entre atuava como receptor de liquidez e recebia recursos do Banco Master e de organizações criminosas dentro de uma mesma estrutura. Entre as origens apontadas pelo ministro estariam o PCC (Primeiro Comando da Capital), usinas de etanol e distribuidoras de combustíveis vinculadas ao crime organizado.
Rastreamento individual dos recursos ainda será feito
Com valores de diferentes procedências misturados no mesmo fundo, o ministro reconheceu que é complexo identificar a origem de cada parcela. Por isso, afirmou que caberá à Receita Federal, ao Gaeco do Ministério Público de São Paulo, à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao Supremo Tribunal Federal rastrear a saída de cada parte dos recursos.
Segundo Durigan, o dinheiro teria sido usado para ocultar patrimônio, lavar recursos, corromper agentes, dar liquidez a operações no exterior e esconder os verdadeiros compradores na aquisição de distribuidoras de combustíveis. O financiamento do filme sobre Bolsonaro foi citado entre as operações externas que agora precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes.
Fazenda pretende ampliar uso de inteligência artificial
O ministro também alertou para o risco de cooptação de fintechs, fundos de investimento e outras empresas do sistema financeiro pelo crime organizado. Segundo ele, o Fisco e a Fazenda devem ampliar o uso de inteligência artificial para automatizar a identificação de movimentações suspeitas no mercado de capitais.
A afirmação de Durigan não estabelece, por si só, a origem criminosa de cada recurso aplicado no filme. As investigações ainda precisam demonstrar o caminho percorrido pelo dinheiro, a participação de pessoas e empresas envolvidas e a responsabilidade individual de cada ator. A apuração sobre o financiamento da produção segue sob análise das autoridades responsáveis.
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