Celina Leão afirma que Lula fez críticas pessoais por ela ser mulher
Governadora do Distrito Federal reagiu às declarações de Lula sobre a crise do BRB e acusou o presidente de transformar o banco em instrumento eleitoral. Disputa envolve pedido de aval da União para empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

Divulgação
Disputa política em torno do BRB
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas pessoais contra ela por ser mulher. A declaração foi uma resposta às falas de Lula durante um comício em Ceilândia, na noite de quarta-feira, quando o petista comentou a crise no Banco de Brasília (BRB).
Segundo Celina, a diferença de tratamento merece reflexão. “Lamento muito que o presidente Lula tenha escolhido partir para ofensa pessoal, fazendo várias agressões a uma governadora mulher. Será que ele usaria as mesmas palavras para se dirigir a um governador homem?”, questionou.
Lula rejeita repasse ao banco
Durante o ato político, Lula disse que o governo federal não entregaria dinheiro ao BRB e garantiu que os pagamentos do Bolsa Família seriam mantidos apesar da crise na instituição. O presidente também acusou Celina de tentar transferir para a União a responsabilidade pelo banco e classificou a postura da governadora como “cínica e mentirosa”.
O governo do Distrito Federal negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com garantia da União para reforçar o caixa do BRB. A necessidade de recursos está relacionada às perdas provocadas pela compra de ativos do Banco Master. Celina sustenta que não solicita dinheiro federal, mas apenas o aval para a operação de crédito, e defende que o caso não seja usado na disputa eleitoral.
Celina defende separação entre banco e campanha
“O presidente pode me atacar, apoiar meu adversário e fazer campanha contra mim. O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral”, afirmou a governadora. Ela ressaltou que a instituição não pertence a ela nem a qualquer partido e que milhares de funcionários, clientes, empresas e famílias dependem do banco.
Celina também afirmou que o Distrito Federal continuará existindo depois das eleições. “Eleições passam, governos passam, partidos passam, mas o nosso DF fica. O senhor deveria ser presidente de todos os brasileiros, inclusive dos brasilienses”, declarou, em recado direto ao chefe do Executivo federal.
Negativa sobre participação na operação
A crise ganhou novo capítulo após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Nos trechos, ele afirmou que Celina, então vice-governadora, teria participado das negociações entre o BRB e o Master. A governadora nega qualquer envolvimento na operação e diz que sempre foi contrária ao negócio.
Lula atribuiu a situação do banco à relação entre Vorcaro e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Com a aproximação do pleito, a solução para o BRB passou a ocupar espaço central no embate entre o governo federal e a administração do Distrito Federal, aumentando a disputa narrativa sobre responsabilidades e possíveis caminhos para estabilizar a instituição.
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