Campanha de Lula denuncia Meta ao TSE por suposta interferência em favor de Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta, acusando a empresa de interferência eleitoral. Os petistas relatam uma série de falhas nas plataformas Instagram e Facebook, como restrição ao impulsionamento e oscilações no alcance de conteúdo, que supostamente beneficiam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a apenas 15 dias do segundo turno.

Divulgação
A disputa presidencial de 2026 ganha contornos de batalha digital com a grave denúncia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a Meta, controladora de gigantes como Instagram e Facebook. A poucos dias do segundo turno, os petistas afirmam que a empresa estaria interferindo no processo eleitoral em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e anunciaram que acionarão o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para investigar as supostas irregularidades.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, detalhou as alegações durante um pronunciamento em Brasília, acompanhado por membros do Palácio do Planalto, incluindo o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Segundo Valadares, a campanha identificou uma sequência de falhas nas plataformas da Meta, incluindo restrições ao impulsionamento de publicações e oscilações significativas no alcance de conteúdos favoráveis a Lula. Tais episódios, de acordo com o partido, prejudicam diretamente a candidatura petista na reta final da disputa eleitoral.
Falhas e restrições levantam suspeitas
As queixas apresentadas pela campanha não são isoladas. O PT relata que, no primeiro turno, a conta de anúncios de Lula chegou a ser desativada sem justificativa formal. Mais recentemente, em 8 de outubro, uma publicação do presidente teria tido o número de visualizações interrompido abruptamente, e seu perfil ficou impedido de impulsionar conteúdos no Instagram entre 9 e 10 de outubro. A Meta teria atribuído estas falhas a problemas técnicos, mas a campanha de Lula argumenta que não foram apresentadas evidências de que os mesmos problemas tenham atingido outros candidatos na mesma proporção, o que levanta forte suspeita de ação direcionada.
Desvantagem no engajamento e cobrança por imparcialidade
A denúncia ganha peso diante de um levantamento elaborado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT, que aponta uma disparidade preocupante: a página de Flávio Bolsonaro apresentava, em média, quase três vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo com menos seguidores. A campanha petista atribui essa diferença ao funcionamento do algoritmo da plataforma. Para o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e coordenador político da campanha, a situação é grave e pode desequilibrar a disputa, especialmente diante da diferença entre os candidatos nas pesquisas do segundo turno. Ele reforçou que, embora a Meta reconheça falhas, a repetição dos problemas, a poucos dias da eleição, exige explicações contundentes e ações corretivas da empresa.
Governo vê questão de soberania nacional
Em meio a este cenário, a campanha de Lula intensifica sua estratégia digital, com o presidente adotando um formato mais direto em vídeos 'selfie' para engajar os eleitores. Paralelamente, a questão da atuação das empresas de tecnologia transcende a eleição atual para o governo petista. Desde janeiro de 2025, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, já apontava que medidas da Meta afrontavam a soberania nacional. Valadares, por sua vez, classificou o caso como uma questão de poder, alertando que o controle de empresas transnacionais sobre a infraestrutura de comunicação, quando usado para tentar determinar eleições, coloca a própria democracia em xeque.
Outras frentes de denúncia no cenário eleitoral
Além da denúncia atual, a coligação Brasil Pronto pra Mais e o PT já haviam recorrido à Meta contra a restrição da conta de anúncios do presidente em setembro. No segundo turno, questionamentos sobre a queda de alcance de publicações pró-Lula e conteúdos considerados desinformativos também foram levados ao TSE. Mais recentemente, o tribunal determinou a suspensão de um site que oferecia criptomoedas para estimular a divulgação de propaganda favorável a Flávio Bolsonaro, cuja campanha afirmou desconhecer a autoria do site. Todos esses movimentos sublinham a crescente tensão entre as campanhas e as plataformas digitais no contexto eleitoral brasileiro.
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