Brasil registra 26 assassinatos de defensores ambientais em 2025
Brasil teve 26 defensores do meio ambiente assassinados em 2025, o dobro do registrado no ano anterior. Disputas por terras, conflitos em áreas remotas e impunidade são apontados como fatores centrais da violência.

Divulgação
Brasil registra o dobro de assassinatos em um ano
O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores do meio ambiente em 2025, o dobro do total registrado no ano anterior. O número coloca o país em posição de destaque negativo no cenário internacional, atrás apenas da Colômbia em quantidade absoluta de mortes relacionadas à defesa ambiental. Os 39 casos colombianos fizeram com que Brasil e Colômbia concentrassem 52% dos assassinatos registrados no levantamento global.
A elevação dos casos brasileiros ocorre em um contexto de acirramento de conflitos no campo e de pressão sobre territórios ocupados por comunidades tradicionais, povos indígenas e agricultores. A proteção dessas áreas envolve interesses econômicos, disputas fundiárias e disputas pelo uso de recursos naturais, criando um ambiente de risco para quem atua na defesa do meio ambiente e dos direitos territoriais.
Disputas por terra concentram a violência
No Brasil, o principal fator associado aos assassinatos foi a disputa por terras. O padrão revela um conflito histórico entre povos indígenas, comunidades locais e grandes proprietários rurais, especialmente em regiões onde a ocupação do território permanece marcada por grilagem, desmatamento, exploração irregular e contestação de direitos.
Os ataques se concentraram em Rondônia e no Pará, estados onde a pressão sobre florestas, rios e territórios tradicionais se soma a conflitos fundiários de longa duração. Nessas localidades, lideranças comunitárias, trabalhadores rurais e agentes ambientais frequentemente atuam sob ameaça, com pouca proteção estatal e diante da dificuldade de acesso à Justiça e aos órgãos de segurança pública.
Comunidades isoladas enfrentam maior vulnerabilidade
A América Latina foi apontada como a região mais letal do mundo para defensores ambientais. Entre as vítimas, 36% eram indígenas e 40% agricultores. Esses grupos estão presentes sobretudo em áreas remotas, onde o isolamento geográfico dificulta a comunicação com autoridades, o registro de ocorrências e a adoção de medidas preventivas.
A baixa presença do Estado nessas regiões aumenta a exposição de lideranças e moradores a ameaças, perseguições e ataques. A ausência de fiscalização, a fragilidade dos mecanismos de proteção e a demora na apuração de crimes anteriores contribuem para a percepção de que a violência pode continuar sem consequências para seus autores.
Impunidade dificulta o fim do ciclo de violência
Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra, resumiu a preocupação com o cenário ao afirmar que “pode-se matar as pessoas, porque há certeza de que ficará impune. É quase uma licença para matar”. A declaração reforça a necessidade de investigações capazes de identificar não apenas os executores, mas também eventuais mandantes e redes de ameaça.
Crimes cometidos em localidades afastadas dificultam a preservação de provas, a proteção de testemunhas e o acesso das comunidades aos órgãos competentes. Para romper esse ciclo, autoridades precisam combinar prevenção, apuração rápida e responsabilização efetiva. A segurança dos defensores ambientais está diretamente ligada à proteção de territórios, à conservação dos ecossistemas e à garantia dos direitos humanos no campo.
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