75% dos eleitores de Flávio aprovam Mendonça; entre lulistas, índice é de 21%
Levantamento mostra divisão acentuada na avaliação dos ministros do STF conforme a preferência eleitoral. Mendonça é aprovado por 75% dos eleitores de Flávio e por 21% dos de Lula; Moraes registra aprovação de 67% entre lulistas e de 4% entre os eleitores do senador.

Divulgação
Avaliação dos ministros muda conforme o eleitor
A avaliação dos ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Alexandre de Moraes muda radicalmente conforme a preferência eleitoral. Em um eventual 2º turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 75% dos eleitores de Flávio aprovam a atuação de Mendonça. Entre os eleitores de Lula, o índice é de 21%. Os dados revelam que a preferência presidencial influencia a percepção sobre o STF em um momento de tensão entre os dois magistrados, que trocaram ofensas na última terça-feira (15) e se tornaram adversários diretos na crise em curso na Corte.
Entre os eleitores de Flávio, 16% desaprovam Mendonça e 9% não sabem responder. No grupo de Lula, 60% desaprovam sua atuação, 21% aprovam e 19% não sabem. A diferença de aprovação entre os dois grupos é de 54 pontos percentuais, mostrando uma divisão profunda na forma como cada lado enxerga o ministro.
Moraes registra cenário inverso
Com Alexandre de Moraes, a distribuição das opiniões ocorre no sentido contrário. O ministro é aprovado por 67% dos eleitores que declaram voto em Lula no 2º turno. Entre eles, 18% desaprovam sua atuação e 15% não sabem responder. Já entre os eleitores de Flávio, apenas 4% aprovam Moraes, enquanto 91% desaprovam e 5% não sabem.
O levantamento indica que a exposição política dos magistrados se reflete diretamente na opinião dos eleitores. Lula e Moraes mantêm uma relação de proximidade desde 2022, e o presidente voltou a defender publicamente o ministro nesta semana. Ao mesmo tempo, Lula tem criticado Mendonça de forma direta. Ainda assim, 21% dos eleitores lulistas aprovam Mendonça, enquanto 18% desaprovam Moraes, sinalizando que a avaliação dos ministros não acompanha automaticamente a posição das lideranças políticas.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada de 13 a 16 de setembro de 2026, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Foram 3.000 entrevistas em 623 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº BR-00360/2026.
Risco para Lula em uma eleição apertada
Para o Planalto, a elevada rejeição a Moraes representa um desafio adicional na reta final de uma disputa acirrada. A aprovação de um ministro, porém, não significa transferência automática de votos nem indica, por si só, que um eleitor deixará de apoiar seu candidato. Os dados sugerem que defender Moraes e criticar Mendonça pode ser um problema quando parte do próprio eleitorado de Lula avalia os dois magistrados de maneira diferente. Em uma eleição decidida também por percepções políticas, essa divisão pode afetar a intensidade do apoio, embora não demonstre necessariamente mudança no voto presidencial.
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