Entenda a investigação sobre a suspeita de infiltração do Pcc em empresas de ônibus de São Paulo
Operação Vectura Corrupta cumpre mandados em sete cidades e investiga possível controle do PCC sobre empresas de transporte, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

Divulgação
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026), investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo de São Paulo e em estruturas do poder público. Polícia Civil e Ministério Público apuram o possível controle financeiro e operacional da facção sobre 12 empresas de ônibus, além de fraudes em licitações e esquemas de lavagem de dinheiro.
Investigação começa com apreensão de drogas
O inquérito ganhou força em agosto de 2024, durante a Operação Decurio. A apreensão de 30 kg de drogas em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, permitiu aos investigadores acessar dados do celular da companheira de um dos líderes do PCC. As informações ajudaram a identificar integrantes da chamada “sintonia final”, grupo responsável por decisões internas da organização criminosa.
Na mesma linha de apuração, as autoridades mapearam uma fintech supostamente controlada pelo PCC, com movimentação estimada em cerca de R$ 8 bilhões. O caso também revelou conexões com empresas de transporte urbano e indicou a existência de um esquema mais amplo para ocultar a origem de recursos e movimentar valores ligados à facção.
Empresas de transporte entram no centro da apuração
O Ministério Público avalia que os modelos investigados nas operações recentes reproduzem estruturas identificadas na Operação Fim da Linha, realizada em 2024 contra as empresas UpBus e Transwolff. À época, as companhias transportavam quase 700 mil passageiros por dia na capital paulista e receberam mais de R$ 800 milhões da prefeitura em 2023.
Em abril de 2026, a Operação Contaminatio avançou sobre a estrutura da fintech e apurou uma tentativa de infiltração em prefeituras para administrar o recebimento de tributos e taxas, além de estabelecer contato direto com moradores. A ação desarticulou uma rede de doleiros e operadores de criptoativos usada na lavagem de recursos, e um ex-vereador de Santo André foi preso.
Vectura Corrupta amplia alcance da investigação
A Vectura Corrupta estendeu o escopo para 12 empresas de ônibus e cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades paulistas: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A Secretaria de Segurança Pública informou que a maioria dos alvos ocupa posições de liderança na facção e que advogados e políticos foram identificados como parte da estratégia criminosa.
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é apontado como um dos principais alvos. Em áudio, ele negou qualquer relação com o PCC e afirmou que se apresentaria à polícia em até 24 horas. Segundo Leite, ele estava viajando para tratar de compromissos de campanha do União Brasil.
Operação Última Parada antecedeu nova fase
A investigação se apoia em ações anteriores, especialmente na Operação Última Parada, realizada em 25 de junho de 2026 pelo Gaeco e pela Polícia Civil. A operação resultou na prisão de cinco pessoas, incluindo o vereador Senival Moura (PT-SP), e apurou a suspeita de que o PCC havia capturado a direção da Transunião para defender seus interesses junto ao poder público.
Segundo as autoridades, Moura atuava como braço político da estrutura mesmo sem aparecer formalmente na sociedade da empresa. A investigação também apontou que o capital social da Transunião saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem explicação clara sobre a origem dos recursos. A companhia recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano somente em 2025.
Na Última Parada, foram bloqueados R$ 194 milhões em contas bancárias, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. A apuração teve origem no assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto a tiros em 2020 na zona leste de São Paulo. Materiais apreendidos após o crime revelaram movimentações financeiras suspeitas e conexões entre a empresa e integrantes do PCC.
As investigações indicam que dois alvos presos na operação já respondiam pelo homicídio de Adauto. Os investigadores concluíram que a morte teria sido encomendada depois que membros da facção descobriram desvios de recursos ligados à empresa. Como os casos seguem sob apuração, as acusações ainda precisam ser comprovadas judicialmente.
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