Vice de Caiado, Kassab diz que crise no STF contamina Lula e Flávio
Gilberto Kassab avalia que o desgaste envolvendo o STF prejudica PT e bolsonarismo e pode abrir espaço para Ronaldo Caiado. Ele também defendeu mudanças nos tribunais superiores e priorizou o combate a subsídios e privilégios em um eventual ajuste fiscal.

Divulgação
O presidente do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal pode influenciar a disputa eleitoral e atingir as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro. Em sua avaliação, o desgaste se estende ao PT e ao bolsonarismo por ambos ocuparem há anos posições centrais na política nacional.
Crise no STF e espaço eleitoral
“É evidente que esse desgaste é extensivo àqueles que já estão no sistema há muito tempo, que é o caso do bolsonarismo e do PT. Contamina os dois”, disse Kassab. Para ele, a repercussão negativa do confronto institucional pode aumentar a procura da sociedade por uma alternativa fora da polarização entre PT e PL.
Kassab tentou posicionar a candidatura de Caiado como beneficiária desse movimento. “O correto é que a sociedade procurasse uma alternativa”, declarou, ao acrescentar que a chapa encabeçada pelo governador de Goiás poderia ocupar esse espaço. A argumentação aposta na rejeição aos polos tradicionais e apresenta Caiado como uma opção com menor desgaste eleitoral.
Leitura sobre Lula e Flávio
Na avaliação de Kassab, o cenário entre Lula e Flávio mudou desde o início da campanha. Ele afirmou que o PT não mantém hoje a mesma vantagem observada anteriormente, embora reconheça que qualquer segundo turno contra o petista seria difícil. Segundo ele, tanto Lula quanto Flávio enfrentam rejeição próxima de 50%, enquanto Caiado teria um índice menor.
“Com os dados de hoje, uma eleição de segundo turno de Lula contra qualquer candidato vai ser difícil”, afirmou. Kassab destacou que o governador goiano teria mais condições de crescer porque chega à disputa com menor rejeição. A comparação, porém, faz parte da leitura apresentada pelo presidente do PSD e não veio acompanhada, na declaração, de dados detalhados de pesquisas eleitorais.
Regras para os tribunais superiores
Kassab também defendeu que o Congresso aprove ainda em 2026 mudanças nas regras de escolha e atuação dos integrantes dos tribunais superiores. Entre as propostas estão a criação de uma idade mínima para ministros e períodos de quarentena após a saída das cortes. Para ele, a exigência de maior maturidade reduziria o risco de escolhas inadequadas e permitiria uma avaliação mais ampla dos candidatos.
“Precisamos urgentemente aprovar a idade mínima para os tribunais superiores”, disse Kassab. Ele sustentou que, com um mandato de 15 anos, a medida já traria equilíbrio à composição das cortes. A proposta busca alterar a forma de renovação dos tribunais, mas ainda dependerá de negociação e aprovação no Congresso Nacional.
O presidente do PSD também propôs quarentenas diferentes para ex-integrantes das cortes: dois anos antes de emitir pareceres, quatro anos para atuar como advogado e oito anos para disputar eleições. Kassab rejeitou a ideia de deixar a votação para 2027 e pediu aprovação logo após as eleições de outubro, independentemente de quem vença a disputa presidencial.
Ajuste fiscal e combate a privilégios
Na área econômica, Kassab afirmou que aposentadorias devem ficar no fim da fila caso seja necessário um ajuste fiscal. Em vez de mexer primeiro nos benefícios dos aposentados, defendeu a redução de despesas, subsídios e privilégios. “Primeiro, você combate privilégios, diminui ou elimina subsídios, preserva o pobre e o aposentado”, declarou.
Kassab também criticou as emendas parlamentares e questionou a destinação de aproximadamente R$ 70 bilhões por ano a esse mecanismo. Para o presidente do PSD, não seria coerente cortar aposentadorias antes de revisar privilégios e instrumentos de execução do Orçamento. “Cadê o exemplo dos parlamentares?”, perguntou.
O discurso combina reforma institucional e ajuste fiscal para diferenciar a chapa de Caiado dos adversários. O desafio será transformar a crítica ao PT, ao bolsonarismo e aos gastos públicos em crescimento eleitoral, especialmente se outros temas passarem a dominar o debate nos próximos dias.
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