STF analisa nesta terça (15) investigação que envolve Alexandre de Moraes
O Plenário do STF realizará uma sessão extraordinária para avaliar a validade da Petição 16.662, que trata de elementos ligados a Alexandre de Moraes no contexto das investigações sobre o Banco Master. A pauta não envolve cassação, impeachment ou julgamento definitivo sobre culpa do ministro.

Divulgação
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará nesta terça-feira (15), às 10h, uma sessão extraordinária presencial para analisar a Petição 16.662. O processo ganhou destaque após documentos relacionados às investigações sobre o Banco Master mencionarem informações atribuídas a um número associado ao ministro Alexandre de Moraes.
O que está em julgamento
Os ministros não vão decidir sobre a cassação de Alexandre de Moraes, sua perda de cargo ou uma eventual condenação criminal. O foco da sessão é avaliar a validade do procedimento que produziu e incorporou determinados elementos à investigação, além de definir quais providências podem ser adotadas a partir desse material.
A discussão central é jurídica: se o caminho utilizado pela Polícia Federal e pelo então relator da petição, ministro André Mendonça, respeitou os limites legais. Também será analisado se a condução de investigações envolvendo indícios sobre um ministro do próprio STF deveria ter sido submetida diretamente ao Plenário da Corte.
Origem da Petição 16.662
A petição foi protocolada em 28 de agosto de 2026 e distribuída inicialmente a André Mendonça por prevenção, em razão da conexão com outro processo relacionado ao Banco Master. O caso passou a ter maior repercussão após a análise do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado no contexto da Operação Compliance Zero.
Entre os documentos produzidos pela Polícia Federal, constam mensagens atribuídas a Vorcaro e dirigidas a um número associado a Alexandre de Moraes. A partir disso, surgiu a necessidade de discutir não apenas o conteúdo do material, mas principalmente a forma como ele foi obtido e utilizado no procedimento criminal.
PGR pede nulidade do procedimento
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pela nulidade da investigação e pela extinção da Petição 16.662. Em sua argumentação, defende a existência de uma “dupla nulidade” no procedimento.
O primeiro ponto apontado pela PGR é a atuação de André Mendonça na fase pré-processual. A procuradoria sustenta que o ministro teria ultrapassado sua competência ao determinar investigações envolvendo pessoas específicas sem provocação do Ministério Público ou iniciativa da autoridade policial.
O segundo argumento é que, ao surgirem indícios de possível crime envolvendo um ministro do STF, a questão deveria ser encaminhada ao Plenário, e não conduzida de forma individual por outro membro da Corte. A PGR também destacou que o relatório policial tinha 218 páginas, sendo 188 dedicadas a Alexandre de Moraes.
O que uma decisão pode significar
Declarar a nulidade da investigação não significa, necessariamente, afirmar que o conteúdo das mensagens é falso. A discussão está relacionada à legalidade do método utilizado para produzir e incorporar os elementos ao processo. Da mesma forma, manter a apuração não representa declaração de culpa do ministro.
Por isso, o julgamento deve ser entendido como uma decisão sobre os rumos do procedimento e a validade dos atos já praticados. O resultado poderá determinar se a investigação continua, se parte do material deve ser desconsiderada ou se a petição será extinta, sem resolver definitivamente questões de mérito criminal.
Como acompanhar a sessão
A sessão está marcada para as 10h, em formato presencial, e a transmissão poderá ser acompanhada pelos canais oficiais do STF. A ordem dos trabalhos e a programação da Corte podem sofrer alterações, por isso a agenda deve ser consultada antes do início dos trabalhos.
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