Museu de Arte de Goiânia abre exposição “Memórias de Dona Lourdes: ver para não esquecer”
O Museu de Arte de Goiânia abre nesta terça-feira, 15 de setembro, a exposição que resgata a história de Dona Lourdes das Neves Ferreira e de sua filha Leide, vítima do acidente com Césio-137. A mostra reúne fotografias, documentos e relatos para preservar a memória das pessoas atingidas pela tragédia de 1987.

Divulgação
O Museu de Arte de Goiânia (MAG) abre nesta terça-feira, 15 de setembro, às 19h, a exposição “Memórias de Dona Lourdes: ver para não esquecer”. A mostra permanece em cartaz até 12 de outubro e apresenta uma narrativa sensível sobre o acidente radiológico com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, um dos episódios mais marcantes da história da capital goiana.
Memória pessoal e história coletiva
A exposição reúne parte do testemunho de Dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, que morreu após ser contaminada pela substância radioativa. Fotografias, documentos jornalísticos e relatos aproximam a experiência de uma família da história coletiva da cidade, mostrando Leide para além da condição de vítima da tragédia.
O acidente começou depois que material retirado de um aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia foi levado para uma residência. Sem conhecer o risco, a família se encantou com o brilho azul emitido pelo Césio-137. Leide, então com seis anos, teve contato com o material e ingeriu parte da substância durante uma refeição.
A evacuação e a perda da casa da família
Nos dias seguintes, os sintomas da contaminação transformaram completamente a rotina dos moradores. Após a identificação do acidente e a adoção dos primeiros procedimentos de emergência, autoridades determinaram que a família deixasse a residência. Dona Lourdes colocou roupas, documentos e dinheiro em um lençol, acreditando que poderia voltar para casa. A família, porém, nunca mais retornou ao imóvel.
A casa foi demolida e parte dos pertences da família foi destruída como rejeito radioativo. Entre as poucas lembranças que permaneceram estavam fotografias de Leide. Ao ser perguntada sobre o que deveria ser preservado antes da demolição, Dona Lourdes pediu que salvassem as imagens da filha. Algumas delas passaram por descontaminação e foram devolvidas à família.
Uma menina lembrada por sua história de vida
Leide morreu em 23 de outubro de 1987, após ser hospitalizada no Rio de Janeiro. A exposição busca recuperar aspectos de sua infância, seus afetos e seus sonhos, incluindo o gosto por bonecas e o desejo de se tornar bailarina. A proposta é reconhecer que sua trajetória não pode ser definida apenas pelos momentos finais de sua vida.
A mostra também apresenta registros de repórteres fotográficos que acompanharam o acidente e suas consequências. Ao dar visibilidade às perdas, aos deslocamentos e ao preconceito enfrentados pelas pessoas atingidas, o projeto convida o público a refletir sobre a importância da escuta, do cuidado e da preservação da memória.
Serviço
A exposição é assinada por Antônio da Mata e Denise Jácomo, com realização do Museu de Arte de Goiânia e apoio de SimplyFix e Eskema Produções. A visitação ocorre na Rua 1, nº 605, no Bosque dos Buritis, Setor Oeste. De terça a sexta-feira, o MAG funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o atendimento vai das 8h às 18h.
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