Ministro da Indústria defende industrialização de terras raras em Goiás
Márcio Elias Rosa defendeu em Goiânia o beneficiamento de terras raras e minerais críticos no Estado. Luis Cesar Bueno apresentou o projeto como base para atrair indústrias de baterias, chips e novas tecnologias.

Divulgação
GOIÂNIA — O ministro da Indústria e Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu em Goiânia o beneficiamento e a industrialização de terras raras e minerais críticos em Goiás. A proposta foi apresentada durante o evento Conexões Produtivas, realizado na Federação Goiana das Indústrias (FIEG), em parceria com Apex Brasil, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Inmetro, BNDES e Sebrae-GO.
Na ocasião, Rosa participou de um almoço no auditório da Churrascaria Nativa, no Setor Sul, com o candidato ao governo de Goiás Luis Cesar Bueno e integrantes da Coligação Goiás Pode Mais, formada por PT, PSB, PSOL/Rede, PCdoB, PV e PDT. O encontro combinou debates sobre desenvolvimento industrial com manifestações de apoio à candidatura petista no Estado.
Parceria para transformar recursos em indústria
Ao falar com jornalistas, Márcio Rosa defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a eleição de Luis Cesar. Ele elogiou o programa de governo do candidato e afirmou que o governo federal pretende trabalhar em parceria com uma eventual administração estadual para promover o beneficiamento das terras raras e de outros minerais estratégicos encontrados em Goiás.
A defesa ocorreu um dia após a sanção da Lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A norma prevê transformar recursos geológicos em conhecimento, tecnologia, capacidade industrial e desenvolvimento regional. Para o ministro, o desafio do país não é apenas extrair minérios, mas retain valor por meio de pesquisa, processamento local e formação de cadeias produtivas.
Soberania mineral em disputa geopolítica
Rosa destacou que o domínio sobre terras raras ganhou importância estratégica diante das transformações na economia e na geopolítica mundial. Esses minerais são utilizados em setores como eletrônicos, baterias, energias renováveis, defesa e inteligência artificial. Segundo o ministro, a soberania brasileira depende da capacidade de controlar etapas essenciais da produção, e não apenas da existência dos recursos no subsolo.
Em tom eleitoral, o ministro criticou declarações que atribuiu a Flávio Bolsonaro durante passagem pelos Estados Unidos, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, em encontro com o presidente Donald Trump. Rosa acusou o adversário político de defender a entrega das terras raras brasileiras e afirmou que cabe ao governo proteger as riquezas nacionais. Para o ministro, esses recursos representam o passaporte do Brasil para as próximas décadas de desenvolvimento tecnológico.
Projeto inclui baterias, chips e inteligência artificial
Luis Cesar Bueno avaliou que o beneficiamento das terras raras em Goiás pode atrair fabricantes de baterias para automóveis, unidades produtoras de chips e indústrias de semicondutores. O candidato afirmou que pretende articular apoio do presidente Lula, do Ministério da Indústria e do BNDES para transformar o Estado em um polo tecnológico, utilizando a expressão Vale do Silício brasileiro.
O projeto apresentado por Luis Cesar também prevê integração com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás para formar profissionais capazes de atuar na nova economia. A concretização da proposta, no entanto, exigirá investimentos sustained, infraestrutura, pesquisa aplicada, segurança jurídica, licenciamento ambiental e competitividade diante da concorrência internacional.
Indústria brasileira diante das novas tarifas
Durante palestra no evento, Márcio Rosa abordou estratégias para ampliar mercados e fortalecer a indústria brasileira em um cenário de mudanças no comércio internacional. Entre os temas discutidos estão o acordo entre Mercosul e União Europeia, novas negociações comerciais e as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A passagem do ministro por Goiânia mostra como a política de minerais críticos passou a ocupar espaço central no debate eleitoral. A proposta de industrializar terras raras em Goiás busca unir mineração, tecnologia e desenvolvimento regional, mas dependerá de planejamento de longo prazo e da capacidade de converter potencial geológico em produção industrial competitiva.
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