Lula rebate clubes, defende fim das bets e diz que futebol não depende das apostas
Durante ato em Guarulhos, Lula classificou as apostas on-line como problema de saúde pública e afirmou que pretende encerrar a atividade das bets no país. A declaração rebate manifesto de clubes que defendem a manutenção do mercado regulamentado.

Divulgação
Lula coloca fim das bets no centro do debate
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o encerramento da atuação das casas de apostas on-line no Brasil. Durante um ato de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, ele afirmou que pretende combater o setor e classificou a expansão das bets como um problema social e de saúde pública.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, disse Lula. Para o presidente, os prejuízos causados a famílias de baixa renda e a pessoas com comportamento compulsivo devem pesar mais do que a arrecadação gerada pela atividade.
Lula citou casos de apostadores que venderam bens, esconderam dívidas da família e enfrentaram situações extremas após perdas com jogos on-line. “Essa jogatina de internet não é jogo de aposta, é um vício. É uma doença chamada ludopatia”, afirmou. Ele também sustentou que o governo não deve priorizar impostos em detrimento das consequências sociais: “O que a gente não pode perder é a vida dos pobres jogando”.
Saúde pública entra no centro da discussão
O transtorno do jogo é reconhecido pelo Ministério da Saúde como um transtorno de comportamento aditivo. O uso problemático das plataformas pode causar danos financeiros, familiares, profissionais e emocionais, além de estar associado a ansiedade, depressão, culpa e isolamento social.
Em julho, o governo federal lançou uma campanha nacional de prevenção aos danos provocados pelas apostas on-line. No mês seguinte, passou a oferecer pelo SUS até 100 mil teleatendimentos mensais destinados a apostadores e familiares. A iniciativa amplia a resposta do poder público aos impactos individuais e coletivos do setor.
Clubes defendem a regulamentação do mercado
A fala de Lula foi uma resposta direta à mobilização de clubes e federações contrários a uma eventual proibição das apostas esportivas. Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Atlético-GO e Vila Nova estão entre as entidades que assinaram um manifesto pela manutenção do mercado regulamentado.
No documento, as entidades reconhecem a existência de problemas sociais ligados às apostas, mas defendem que a solução passe por regulamentação, fiscalização, educação e políticas de prevenção. Elas argumentam que uma retirada abrupta das empresas legalizadas poderia provocar desequilíbrio financeiro no esporte.
Os clubes afirmam que o dinheiro das bets beneficia agremiações menores, divisões de base, futebol feminino e projetos sociais. A mobilização também cita que 13 equipes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras máster e estima em quase R$ 1 bilhão o impacto dessa linha de receita.
Presidente rejeita argumento de colapso do futebol
Lula rebateu a tese de que o fim das bets colocaria em risco a existência do futebol brasileiro. O presidente lembrou que clubes como São Paulo, Santos, Flamengo, Corinthians, Grêmio e Internacional conquistaram títulos internacionais antes da chegada massiva das apostas ao país.
“Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, declarou. Segundo Lula, a disputa envolve dois interesses distintos: de um lado, a receita que sustenta parte do esporte; de outro, os efeitos de um mercado que ganhou escala e preocupa autoridades de saúde. O presidente informou ainda que pretende chamar representantes dos clubes para discutir o tema.
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