Lula diz que ministros devem responder se envolvimento no caso Banco Master for comprovado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma apuração ampla e independente sobre o caso Banco Master. Segundo ele, ministros do STF, integrantes do governo e qualquer cidadão suspeito de irregularidades devem ser investigados. Lula também cobrou o fim dos vazamentos seletivos e avaliou positivamente medidas adotadas por Edson Fachin para tentar conter a crise institucional.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), autoridades do governo e cidadãos comuns devem ser investigados se houver suspeita de irregularidades. A declaração foi feita em um momento de forte crise institucional no tribunal, marcada por investigações envolvendo o Banco Master, disputas entre ministros e decisões que impactaram a direção da Polícia Federal.
Lula defende punição se culpa for comprovada
Segundo Lula, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Edson Fachin ou qualquer outra autoridade deve responder às acusações caso as investigações confirmem responsabilidades. Para o presidente, ninguém pode estar acima da Constituição e a apuração precisa alcançar todos os envolvidos, independentemente do cargo ocupado.
“Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar; se o Mendonça, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar”, disse. Lula acrescentou que a investigação deve ir “do presidente da Suprema Corte ao Presidente da República” e alcançar também empresários e trabalhadores, sem privilégios ou exceções.
Crítica aos vazamentos seletivos
O presidente criticou a divulgação parcial de informações sigilosas durante períodos eleitorais. Sem citar diretamente André Mendonça, Lula afirmou que um juiz não pode manter um processo sob sigilo e, ao mesmo tempo, liberar trechos conforme interesses políticos. Na avaliação dele, essa prática prejudica a disputa eleitoral e reduz a credibilidade do Judiciário.
“Ao invés de vazamento seletivo, de interesse de A ou B, que abra-se a janela e deixe a democracia passar”, declarou. A fala ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, além de informações sobre um contrato relacionado ao escritório da esposa do magistrado.
Apoio às medidas de Edson Fachin
Lula avaliou positivamente a atuação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, anulou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e determinou que o pedido de investigação contra Moraes seja analisado pela Corte.
O presidente disse ter conversado com Fachin e afirmou que espera novas medidas para restabelecer a confiança no tribunal. “Ele vai ter que pegar esse processo, trazer para ele, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração. Apure tudo, divulgue tudo, doa a quem doer”, disse Lula.
Conflito envolve Moraes, Mendonça e Polícia Federal
A crise se intensificou depois que nomes de ministros do STF passaram a aparecer nas investigações sobre o Banco Master. André Mendonça pediu a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Em resposta, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news, acusando-o de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O confronto também chegou à Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues, mas a decisão foi anulada por Flávio Dino e, posteriormente, por Fachin. Lula disse confiar no diretor-geral, mas reforçou que ele também deverá ser punido se for comprovado algum envolvimento com irregularidades no caso do banco.
Pressões sobre a relatoria do caso
Dias Toffoli era inicialmente o relator das investigações envolvendo o Banco Master, mas deixou o caso após questionamentos sobre sua relação com um resort no Paraná do qual foi sócio. A propriedade teria sido adquirida por um fundo ligado a Daniel Vorcaro, conforme informações tratadas no contexto das apurações.
Governistas também criticam Mendonça por dar andamento ao processo contra Moraes, enquanto outro caso envolvendo o filme “Dark Horse” permanece em análise. A produção homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro e é apontada nas investigações como beneficiária de financiamento bilionário ligado ao banqueiro, com Flávio Bolsonaro entre os personagens centrais.
Preocupação com o impacto eleitoral
Lula alertou que decisões do STF durante o período eleitoral podem ser interpretadas como ações com viés político. Para ele, uma investigação da Corte não deveria interferir na escolha do próximo presidente da República, mas vazamentos e disputas internas têm alimentado insegurança e afetado a imagem da instituição.
O presidente também reafirmou que o governo não tem envolvimento com a crise instalada no STF. O desafio agora é encontrar um mecanismo capaz de apurar as acusações com transparência, preservar a independência dos ministros e evitar que o conflito institucional se transforme em instrumento de disputa política.
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