Lula diz que corrigir desigualdades levará tempo porque país partiu de uma base excludente
Durante agenda com artistas no Centro do Rio, Lula afirmou que as desigualdades brasileiras têm raízes na exclusão histórica do acesso à educação. Presidente também defendeu bibliotecas e investimentos culturais como instrumentos de inclusão.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a correção das desigualdades brasileiras exigirá tempo, pois o país foi construído sobre bases marcadas pela exclusão social e educacional. Durante agenda com artistas no Centro do Rio, Lula voltou a defender que a ampliação do acesso à cultura e à leitura é indispensável para reduzir esse legado histórico.
“Partimos do nada”
“Eu ainda acho que a gente vai demorar muito para fazer tudo, porque a gente partiu do nada. Quando a gente parte do nada, é tudo mais complicado. A gente está sempre devendo alguma coisa”, declarou. A avaliação reforça a ideia de que políticas públicas recentes não conseguem resolver, em curto prazo, problemas acumulados ao longo de séculos.
Origem histórica da exclusão
Lula também sustentou que a elite brasileira nunca priorizou a escolarização dos trabalhadores. Segundo o presidente, a população indígena e os trabalhadores escravizados foram mantidos à margem do ensino porque sua função, naquele modelo econômico, era apenas produzir. “Para quê dar escolaridade? Vamos deixar eles no analfabetismo e na ignorância, eles só servem para trabalhar”, afirmou.
Bibliotecas mais próximas da população
Para enfrentar essa realidade, o presidente citou investimentos do Ministério da Cultura em bibliotecas. Lula informou ainda que o novo programa Minha Casa, Minha Vida passou a prever espaços de leitura nos conjuntos habitacionais. A proposta, segundo ele, é aproximar livros e atividades culturais das famílias que normalmente não frequentam equipamentos culturais concentrados nos centros das cidades.
Cultura, educação e internet
O presidente defendeu que investimentos no setor cultural podem estimular a educação e ampliar o repertório da população. Ele também criticou o impacto da internet sobre o vocabulário de crianças e jovens, afirmando que o uso excessivo das plataformas digitais contribui para empobrecer a forma como parte da meninada se expressa.
A agenda no Centro do Rio reuniu artistas como Chico Buarque, Daniela Mercury, Lulu Santos, Paulo da Viola, Tony Bellotto, Zeca Pagodinho, Malu Mader, Marieta Severo e Ciça Guimarães. O encontro reforçou a tentativa do governo de manter diálogo com o setor cultural em um momento de disputa política nacional.
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