Flávio Bolsonaro diz que reajuste do Bolsa Família durante eleições é ilegal
Flávio Bolsonaro criticou o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado a 17 dias do primeiro turno. O governo afirma que a correção acompanha a inflação e cabe no espaço fiscal dos exercícios de 2026 e 2027.

Divulgação
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou, nesta quinta-feira (17), o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo federal. A 17 dias do primeiro turno das eleições, ele classificou a medida como ilegal e proibida por ter sido adotada durante o período eleitoral.
Crítica feita durante comício na Bahia
Em comício realizado em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, Flávio afirmou que a decisão integra uma estratégia de campanha. Segundo o candidato do PL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria deixado para editar a medida somente agora, apesar de ter conduzido o governo nos anos anteriores sem promover o mesmo reajuste.
Flávio também questionou a intenção política por trás do anúncio. Ele declarou que o governo tenta influenciar eleitores em um momento decisivo da disputa e acusou Lula de agir sob pressão pelas pesquisas. A crítica reforça o uso do Bolsa Família como tema de confronto entre os presidenciáveis na reta final da campanha.
Governo informa custo fiscal da medida
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou que o aumento terá custo de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano, com efeitos a partir de outubro. Para 2027, a estimativa é de R$ 22 bilhões. Segundo o governo, os valores serão absorvidos pelo espaço fiscal disponível nos dois exercícios, sem necessidade de novas contingências.
O reajuste será aplicado de forma linear aos benefícios. Com a mudança, o piso de pagamento deixará de ser R$ 600 e passará a R$ 691. A média estimada dos benefícios subirá de R$ 691 para R$ 777, beneficiando milhões de famílias vinculadas ao programa de transferência de renda.
Correção acompanha inflação medida pelo INPC
O ministro Bruno Moretti justificou a decisão pela necessidade de corrigir os pagamentos conforme a inflação acumulada. Do início do programa até agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) reached 15,04%, segundo os dados utilizados pelo governo para calcular o reajuste.
A discussão retoma um episódio semelhante das eleições de 2022. Naquele ano, o então presidente Jair Bolsonaro, também do PL, ampliou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 quando a disputa eleitoral já estava em andamento. A comparação deve intensificar o debate sobre o uso de políticas sociais durante campanhas presidenciais.
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