Empresa ligada à produção de Dark Horse recebeu ao menos R$ 1 milhão de Ong investigada
Relatórios de inteligência financeira citados pela Polícia Federal apontam repasses do Instituto Conhecer Brasil à Go7, empresa associada à estrutura que originou a GoUp Entertainment. A Justiça autorizou buscas no âmbito da operação Make Up, que investiga supostos desvios de emendas parlamentares.

Divulgação
São Paulo — A Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural recebeu pelo menos R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade alvo de investigação sobre supostos desvios de emendas parlamentares. O repasse aparece em relatórios de inteligência financeira analisados pela Polícia Federal (PF) e foi citado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino na decisão que autorizou a operação Make Up.
Recursos são alvo de apuração da Polícia Federal
Uma das linhas de apuração é verificar se parte do dinheiro recebido pelo ICB foi utilizada para financiar Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Go7, o instituto, a produtora GoUp Entertainment e a empresária Karina Gama foram incluídos na operação. Ao todo, foram expedidos 49 mandados, e o deputado federal Mário Frias (PL) também está entre os alvos das buscas.
A Go7 foi fundada por Karina em 2005 e não consta formalmente como produtora de Dark Horse no cadastro da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Documentos de apresentação do filme, contudo, descrevem a empresa como parte de uma joint venture com a americana Uptone Picture, união que teria dado origem à GoUp Entertainment.
Emendas e contrato de Wi-Fi ampliam escopo da investigação
A decisão de Flávio Dino também menciona emendas totaling R$ 2 milhões destinadas por Frias ao ICB. A investigação acompanha ainda um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital.
O envio de R$ 1 milhão à Go7 ocorreu em uma transferência única, em data situada entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026. A empresa já esteve registrada na Ancine e, conforme Karina, foi usada anteriormente para solicitar o registro de um documentário chamado Atletas de Cristo, projeto que não saiu do papel.
PF analisa repasses indiretos à produtora do filme
Além do pagamento à Go7, a PF investiga transações envolvendo editoras e empresas do mesmo grupo econômico. O ICB teria enviado R$ 700 mil à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Já a NTT Brasil, apontada como vinculada a essa rede empresarial, repassou R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
De acordo com a investigação, a GoUp movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Nesse período, recebeu valores de diferentes remetentes, incluindo R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do próprio Mário Frias. As filmagens de Dark Horse ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo com parte das operações financeiras examinadas.
Investigação ainda busca comprovar origem dos valores
A PF reconhece que os elementos reunidos até agora não demonstram de forma direta que recursos públicos recebidos pelo ICB tenham financiado a produtora. A proximidade temporal entre os repasses, a movimentação das empresas e a produção do filme é tratada pelos investigadores como um indício relevante, mas a comprovação do caminho do dinheiro e de eventual irregularidade dependerá do cruzamento de documentos, contratos e depoimentos colhidos na operação.
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