Entidades de Karina Gama receberam emendas de três parlamentares do Pl
Mario Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis destinaram recursos ao ICB e à ANC, organizações ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama. A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades no uso das verbas e sua relação com a produção do filme “Dark Horse”.

Divulgação
Três deputados federais do PL destinaram emendas orçamentárias a entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal. Mario Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) enviaram recursos ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), organizações presididas por Karina.
Destinação dos recursos
O ICB recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas indicadas por Frias. A Polícia Federal apura se parte do valor foi utilizada de forma irregular para custear hospedagens em hotéis de alto padrão, refeições e repasses a produtoras associadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os registros indicam que o valor foi integralmente repassado ao instituto.
Pollon e Kicis destinaram recursos à ANC para o projeto “Heróis Nacionais”, com intermediação do Governo de São Paulo. Pollon alocou R$ 1 milhão, com pagamentos realizados em dezembro de 2024. Kicis designou R$ 150 mil, quitados em duas parcelas, em julho e dezembro do mesmo ano.
Vínculos e questionamentos
De acordo com a investigação, o ICB e a ANC compartilham estrutura administrativa, gerencial e de pessoal, além de integrarem o mesmo grupo empresarial de Karina Gama. As produtoras GO UP Entertainment e GO7 Assessoria também fazem parte do conjunto de empresas examinado pelos investigadores.
A PF questiona o fato de parlamentares eleitos pelo Mato Grosso do Sul e pelo Distrito Federal terem direcionado recursos para São Paulo, procedimento que contraria a regra de vinculação federativa das emendas. Documentos do inquérito apontam que os repasses diretos à ANC não foram concluídos por pendências técnicas.
A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A investigação apura suspeitas de desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As apurações sobre o financiamento do filme tiveram origem em desdobramentos da Operação Compliance Zero, que encontrou referências ao projeto em áudios com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, impôs medidas cautelares a Mario Frias, incluindo a proibição de deixar o país e de manter contato com os demais investigados. Em nota, Pollon afirmou que a emenda de R$ 1 milhão era destinada a uma série documental educativa e cultural. Segundo ele, após a entidade não atender aos critérios técnicos, pediu o cancelamento do empenho e a transferência dos recursos para o Hospital de Amor de Barretos. O deputado nega que a verba tenha financiado “Dark Horse” e diz ter informado Dino sobre o procedimento.
A assessoria de Bia Kicis não apresentou manifestação sobre a operação até a conclusão deste texto.
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