Caiado chama julgamento do STF de “escárnio” e “briga de facção”
Ronaldo Caiado criticou a sessão do STF sobre a tramitação de processos ligados ao caso Banco Master e pediu uma resposta do Senado aos pedidos de impeachment de ministros. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino, e o mérito das acusações não foi analisado.

Divulgação
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) classificou como “escárnio” e “briga de facção” a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), na qual os ministros discutiram a tramitação de processos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master. As críticas foram feitas nesta quinta-feira (17), durante sabatina da Novabrasil.
Para Caiado, os embates registrados durante o julgamento transmitiram à população uma imagem de fragmentação institucional. Ao comentar a crise interna na Corte, o candidato afirmou que a cena provocou um “sentimento de luto” e acusou os ministros de tentar justificar publicamente suas posições.
“O que nós vimos ali é um escárnio, ou seja, é uma briga de facção”, disse. Caiado também afirmou que o episódio comprometeu a liturgia e o decoro do cargo, classificando o processo como algo que “enojou o Brasil”.
Julgamento foi interrompido por pedido de vista
A sessão analisava uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para que a Petição 16.662, relacionada a Alexandre de Moraes, fosse julgada em conjunto com a Petição 16.704, que reúne questionamentos sobre a atuação de André Mendonça no caso Banco Master. O placar chegou a 4 votos a 3 pela tramitação separada dos processos, mas Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da análise.
O pedido suspendeu a votação e deixou pendente a definição sobre o rito das duas petições. Também nesta quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, adiou a sessão prevista para discutir questões ligadas à atuação de Mendonça, sem informar uma nova data.
Caiado critica a condução de Fachin
Durante a sabatina, Caiado direcionou críticas à condução dos trabalhos por Fachin. Em sua avaliação, o presidente do STF não deveria ter acolhido a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. “O Fachin, naquele momento como presidente, ele não podia ter aceito nenhuma questão de ordem. Pelo regimento, você rejeita a questão de ordem, vem pra se votar o pleno, a matéria pautada”, afirmou.
A declaração expressa a interpretação do candidato sobre o regimento interno da Corte. O STF informou que a discussão daquela terça-feira estava restrita à tramitação conjunta das petições e que o mérito das acusações não foi examinado.
Entenda as petições analisadas
A Petição 16.662 tem origem em um relatório da Polícia Federal baseado em informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade desse material.
Já a Petição 16.704 foi aberta a partir de informações apresentadas por Alexandre de Moraes e trata de questionamentos sobre a condução do caso por André Mendonça. Durante a sessão, os ministros também discutiram vazamentos de informações, atuação da Polícia Federal e possíveis reflexos político-eleitorais do processo.
Candidato cobra resposta do Senado
Além de criticar o STF, Caiado defendeu uma atuação mais firme do Senado Federal diante dos pedidos de impeachment de ministros da Corte. Segundo ele, os conflitos expostos no julgamento demonstram que o tribunal perdeu sua unidade institucional.
“O Supremo quebrou como se quebra um ovo. Não tem como você reunir aquilo. Fragmentou o Supremo. Virou uma guerra entre um lado e outro e que não tem costura”, afirmou. As declarações reforçam a estratégia de campanha de Caiado, que tem usado o caso Banco Master e a crise no STF para defender mudanças na relação entre os Poderes e uma atuação mais incisiva do Congresso Nacional.
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