Flamengo protesta contra proibição das bets em campo
Em partida contra o Santos, jogadores do clube carioca exibiram a mensagem “Proibir não é proteger” na camisa, em protesto contra a medida provisória que proibiu a operação e publicidade de casas de apostas esportivas no Brasil.

Divulgação
Na última quinta-feira (8), o Flamengo entrou em campo com uma declaração visual contundente contra a recente proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. Durante o confronto contra o Santos, na Vila Belmiro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, os atletas rubro-negros ostentaram a frase “Proibir não é proteger” estampada na parte frontal de seus uniformes. Este espaço, que anteriormente era dedicado à marca da Betano, patrocinadora master do clube, tornou-se o palco para a manifestação.
O clube carioca possuía um dos maiores contratos de patrocínio do futebol nacional com a Betano, um acordo firmado em agosto de 2025 e com validade até dezembro de 2028, que representava uma injeção anual de aproximadamente R$ 268,5 milhões. A medida provisória que vetou a operação e a publicidade de empresas de apostas no país afetou diretamente este e outros acordos semelhantes. A ideia de utilizar a camisa como plataforma de protesto já vinha sendo considerada pelo Flamengo.
A mensagem exibida pelos jogadores faz parte de uma campanha mais ampla organizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que representam empresas do setor. Segundo as associações, a proibição das plataformas regulamentadas não erradica a prática de apostas, mas, ao contrário, impulsiona a migração de usuários para ambientes clandestinos e sem fiscalização. A defesa das entidades é pela manutenção de um mercado regulado, com mecanismos de controle como verificação de idade, autoexclusão e restrições publicitárias.
Essa mobilização não se limitou ao jogo do Flamengo. A campanha já havia sido vista em placas de publicidade no MorumBis, durante a partida entre São Paulo e Santos, no início de outubro, e também no confronto entre Atlético-MG e Red Bull Bragantino. Desde a efetiva proibição da publicidade, em 6 de outubro, diversos clubes brasileiros têm disputado suas partidas sem as marcas das empresas de apostas. O Sport, por exemplo, substituiu a Betnacional por um patrocínio pontual, enquanto o Goiás entrou em campo sem patrocinador master. As casas de apostas se consolidaram como uma fonte vital de receita para os clubes, respondendo por uma parcela significativa dos ganhos de marketing.
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