Sete décadas de arte e memória: Roblim une passado e futuro da cultura goiana na Alego
A Assembleia Legislativa de Goiás abre ao público, até 15 de setembro, a exposição "ROBLIM 2026 – O Colecionador de Tempos – Joias do Cerrado", que celebra os 81 anos do artista plástico Roblim e seus 70 anos de carreira, reunindo pinturas, esculturas e obras em relevo que retratam o cerrado e a vida interiorana.

Divulgação
A mostra instalada no saguão do Palácio Maguito Vilela, sede da Alego, reúne um panorama amplo da produção de Roblim, artista nascido em Boa Viagem, Pernambuco, que encontrou em Goiás o cenário para desenvolver uma linguagem visual profundamente ligada ao cerrado. Desde os primeiros traços feitos com graxa de sapato até as obras contemporâneas em relevo, sua trajetória é marcada por uma busca constante de transformar matérias humildes em poesia que fala diretamente ao sentimento do espectador.
Raízes no cerrado e técnica de relevo
Roblim descreve sua infância como um aprendizado sem paredes, onde as folhas, os peixes do Rio das Almas e as árvores do sertão se tornaram suas primeiras salas de aula. Essa conexão com a natureza se reflete na técnica de relevo que lhe é característica: a matéria é trabalhada para sair do plano, criando sombras e texturas que dialogam com a luz e parecem prender a essência do tempo. Além da pintura, ele explora escultura, cerâmica, máscaras e trabalhos em pedra e madeira, sempre mantendo a identidade poética que une suas peças.
A mostra Roblim 2026
Intitulada "ROBLIM 2026 – O Colecionador de Tempos – Joias do Cerrado – 81 anos de Vidas – 70 anos de Artes", a exposição permanece aberta até o dia 15 de setembro, com entrada gratuita. A curadoria, assinada por Risney Lima, destaca que o acervo não celebra apenas a habilidade técnica, mas a generosidade de um artista que transformou oito décadas de vivências em um patrimônio afetivo e cultural para Goiás e para o Brasil. O diretor artístico Ruber Rosha explica que a expografia foi pensada para proporcionar uma experiência imersiva, permitindo que o visitante sinta a textura do tempo em cada obra.
Ao final da visita, Roblim deixa um recado que resume sua filosofia: "Quando olho para tudo o que fiz nestes 70 anos de caminhada artística, percebo que não guardei nada só para mim. Deixei meu coração em cada obra para que as pessoas encontrem ali um pedaço de suas próprias histórias." Essa mensagem reforça a ideia de que suas criações vão além da estética, funcionando como verdadeiros pontes de pertencimento entre o público e a memória coletiva do cerrado.
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