Ex-presidentes do STF cobram apuração após crise envolvendo Moraes
Dez ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal e três ministros aposentados assinaram carta urgente ao presidente Edson Fachin, pedindo sessão pública para apurar supostas interferências do ministro Alexandre de Moraes em investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento alerta para riscos à confiança nas instituições democráticas.

Divulgação
Carta dos ex-presidentes pede sessão pública
Uma carta assinada por dez ex-presidentes do STF e três ministros aposentados foi tornada pública sete dias após a exposição de mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. O documento destaca “gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade” do tribunal, além de colocar em risco “a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”. Entre os signatários estão Néri da Silveira, Celso de Mello, Ellen Gracie e Rosa Weber, entre outros nomes que marcaram a história da Corte.
Os ex-ministros manifestam “confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Edson Fachin e solicitam que ele “designe, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal”. Eles acreditam que somente por meio de um julgamento aberto será possível restabelecer a credibilidade do Supremo diante das alegações de possível interferência em investigações policiais e ministeriais.
As conversas divulgadas indicam que Vorcaro teria pedido a Moraes que intervisse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de atrapalhar apurações sobre supostos negócios fraudulentos do Banco Master. Ainda segundo a reportagem, o ministro teria participado da elaboração de um contrato no valor de R$ 131 milhões entre sua esposa, a advogada Viviane Moraes, e o banqueiro, além de ter autorizado cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Fachin afirmou que adotará providências nos próximos dias, entrando em detalhes apenas após a conclusão da análise necessária dos fatos e observância dos procedimentos institucionais. Até o momento, o tema não entrou em pauta nas últimas sessões plenárias da Corte, embora o ministro André Mendonça tenha liberado para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como um dos principais interlocutores de Vorcaro, sem data definida para o plenário.
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