Sesc Goiás apresenta duas exposições de Vik Muniz em Goiânia
Goiânia recebe, em outubro, duas exposições de Vik Muniz com obras feitas de cinzas, alimentos e cédulas descartadas. As mostras terão entrada gratuita e ficarão em cartaz até janeiro de 2027.

Divulgação
Goiânia entra, em outubro, no circuito nacional de artes visuais com duas exposições de Vik Muniz, um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional. A programação do Sesc Goiás será aberta nos dias 5 e 6, respectivamente na Vila Cultural Cora Coralina e na Galeria Leo Romano, e permanecerá em cartaz até 31 de janeiro de 2027. Muniz participará das duas aberturas.
Imagens revisitadas em diferentes materiais
Na Vila Cultural Cora Coralina, “Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão” percorre mais de três décadas de produção artística. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra investiga a relação do artista com obras conhecidas da história da arte e com imagens consolidadas na cultura visual. O conjunto traz referências a Sandro Botticelli, Raphael, Pablo Picasso, Andy Warhol, Joseph Beuys e Yves Klein.
A proposta de Muniz envolve transformar elementos cotidianos em matéria-prima visual. Chocolate, pasta de amendoim, geleia, espaguete, poeira e cinzas são organizados para reconstruir imagens que, depois, ganham registro fotográfico. O processo desloca o significado dos materiais e convida o público a observar como uma imagem pode ser construída, desconstruída e reinterpretada.
Um dos pontos centrais da exposição é “Museu das Cinzas”, desenvolvido após o incêndio que destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Muniz recolheu materiais do local e registrou a procedência dos fragmentos antes de reconstruir imagens de peças que pertenciam à instituição. Em Goiânia, serão exibidas duas obras do projeto, ambas produzidas em 2019.
Dinheiro transformado em arte
A segunda mostra, “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”, será aberta em 6 de outubro, às 19h, na Galeria Leo Romano. A exposição reúne trabalhos produzidos desde 2022 com fragmentos de cédulas descartadas pela Casa da Moeda do Brasil. A proposta combina crítica, memória econômica e experimentação visual em imagens de animais e paisagens brasileiras.
Nas obras dedicadas à fauna, Muniz definiu uma regra específica: cada imagem deve ser formada somente com partes da cédula que representa a espécie retratada. Assim, o lobo-guará é construído com fragmentos da nota de R$ 200, enquanto a garça utiliza pedaços da cédula de R$ 5. Em Goiânia, também serão apresentadas obras como “Mico-leão-dourado”, “Arara”, “Garoupa” e “Onça-pintada”.
Outro conjunto recupera paisagens brasileiras a partir de referências de artistas viajantes do século 19. A seleção inclui trabalhos baseados em Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger, com cenas como a Serra Ouro Branco, a Praia Rodrigues, a Lagoa Rodrigo de Freitas e a costa da Bahia. As obras relacionam a tradição da representação da natureza brasileira à circulação do dinheiro como suporte artístico.
Programação também valoriza o acervo da Nara Roesler
A Galeria Leo Romano ainda apresentará uma seleção do acervo da Nara Roesler nos demais pavimentos do espaço. A mostra reúne Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi, entre artistas de diferentes gerações e linguagens. A programação reforça o diálogo entre a trajetória de Muniz e a produção artística brasileira exibida em circuitos nacionais e internacionais.
A relação da Nara Roesler com Goiás tem um capítulo marcado pela obra de Siron Franco. Em 1987, a galeria levou a São Paulo trabalhos da série “Goiânia Rua 57”, criada em referência ao acidente com césio-137. Em 2000, apresentou “Casulos”, primeira mostra em que o artista goiano exibiu suas esculturas.
Reconhecimento internacional
Nascido em São Paulo em 1961, Vik Muniz participou da 24ª Bienal de São Paulo e da 56ª Bienal de Veneza. Suas obras integram acervos como o Centre Georges Pompidou, em Paris; o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri; o MoMA, o Guggenheim e o Whitney Museum, em Nova York; e a Tate, em Londres. O documentário “Lixo Extraordinário”, baseado em seu trabalho com catadores do Jardim Gramacho, recebeu indicação ao Oscar de melhor documentário.
As duas exposições têm entrada gratuita. “Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão” abre em 5 de outubro, às 17h, na Vila Cultural Cora Coralina. “Vik Muniz – Dinheiro Vivo” e a seleção do acervo da Nara Roesler serão inauguradas em 6 de outubro, às 19h, na Galeria Leo Romano. Todas ficam abertas até 31 de janeiro de 2027.
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