Cerâmica e autoconhecimento ganham espaço em mostra no Jardim Potrich
A Mostra do Barro(Co)ntemporâneo reúne artistas, designers e artesãos em torno da cerâmica como expressão cultural, ancestralidade e prática de autoconhecimento.

Divulgação
A cerâmica será o centro da Mostra do Barro(Co)ntemporâneo, marcada para o próximo sábado, dia 19 de setembro, no Jardim Potrich. O encontro reúne artistas, designers e artesãos interessados em transformar o barro em expressão artística, registro de ancestralidade e caminho de autoconhecimento.
Ancestralidade japonesa e tropicalidade brasileira
Entre as referências da mostra está o trabalho da arquiteta Fernanda Ogata, cujas peças em argila combinam delicadeza, precisão artesanal e influências da ancestralidade japonesa. Suas formas revelam um diálogo entre a tradição do fazer manual e a liberdade criativa presente nas curvas, nas assimetrias e na relação com a natureza brasileira.
O resultado ultrapassa a função decorativa. Cada peça carrega marcas do processo de construção, da escolha da matéria-prima e do contato direto com as mãos do artista. Nesse sentido, a cerâmica se apresenta como uma linguagem capaz de aproximar memória, técnica e sensibilidade.
O ofício como forma de cuidado
Para Fernanda, o trabalho com o barro também ganhou dimensão terapêutica durante um período de luto pela perda inesperada de uma irmã. A experiência reforçou o papel do ofício como espaço de escuta interna, concentração e elaboração das emoções, especialmente em momentos marcados pelo silêncio e pela ausência.
A proposta dialoga com uma compreensão cada vez mais presente entre artistas e públicos: processos manuais podem ajudar a organizar pensamentos, reduzir a aceleração do cotidiano e favorecer a conexão consigo mesmo. A prática não elimina a dor, mas pode oferecer um caminho para atravessá-la com mais presença e consciência.
O vazio como parte da existência
Um vaso, um jarro ou uma ânfora só cumprem sua função porque possuem um espaço interno. A imagem serve como metáfora para a condição humana e para as diferentes formas de lidar com perdas, lembranças e transformações. O vazio, nesse contexto, não representa apenas ausência, mas também possibilidade de movimento, criação e reconstrução.
A Mostra do Barro(Co)ntemporâneo convida o público a observar esse processo de perto. Além de valorizar a produção de artistas e artesãos, a iniciativa promove uma reflexão sobre cura, ancestralidade e o desejo de viver em conexão com a própria história.
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