Bordadeiras de Burarama passam a integrar roteiro turístico no Sul do Es
Meninas Bordadeiras de Burarama, grupo que há 53 anos mantém viva a tradição do bordado livre em Cachoeiro de Itapemirim, agora integra o território turístico Raízes, com apoio do Sebrae/ES. Antes disso, coletivo se apresenta na ArteSanto 2026, em Vitória.

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Há mais de cinco décadas, mulheres de diferentes gerações mantêm viva em Burarama, distrito de Cachoeiro de Itapemirim, a tradição do bordado livre. Reunidas às quintas-feiras no barracão da Igreja São João Batista, elas compartilham linhas, agulhas, memórias e saberes que agora ganham novos caminhos com a inclusão do grupo no roteiro turístico que está sendo estruturado no Sul do Espírito Santo.
Tradição que vira destino turístico
O trabalho das bordadeiras passa a integrar o projeto de desenvolvimento do turismo sustentável do corredor ecológico Burarama-Pacotuba-Cafundó. Batizado de Raízes, o território está sendo organizado para oferecer aos visitantes experiências autênticas que conectam cultura, memória e tradições locais, com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado (Sebrae/ES), em conjunto com outros parceiros.
A proposta é transformar a rica trajetória do grupo em uma experiência cultural capaz de receber visitantes de forma estruturada. Além de conhecer o trabalho artesanal, os turistas poderão mergulhar nas histórias bordadas pelas mulheres, compreendendo a relação entre memória, identidade e território.
Primeira parada: ArteSanto 2026 em Vitória
Antes mesmo da estruturação do roteiro, o público capixaba terá a oportunidade de conhecer de perto o trabalho das Meninas Bordadeiras de Burarama. Durante a ArteSanto 2026, que começou no último sábado (05) e segue até domingo (13), na Praça do Papa, em Vitória, o grupo expôs o acervo do seu Ponto de Memória, formado por bordados que contam histórias do cotidiano, das famílias, das tradições e das lembranças que moldaram a vida da comunidade.
Segundo a analista da regional Sul do Sebrae/ES, Luciana Nogueira, o acervo reúne grandes painéis bordados que retratam brincadeiras de infância, o papel da mulher na sociedade, receitas transmitidas entre gerações, canções populares, atividades da roça e cenas que fazem parte da memória coletiva de Burarama. Cada peça é resultado do chamado bordado livre, técnica que permite às próprias artesãs desenharem e criarem suas narrativas, transformando recordações em imagens feitas com linha e tecido.
53 anos bordando história
A história do grupo começou há 53 anos, quando Mariangela Grillo Fassarella, coordenadora do coletivo, e sua mãe, Anna Perim Grillo, passaram a ensinar bordado para meninas da vizinhança. O que nasceu como um encontro comunitário se consolidou como um importante projeto social e cultural, dedicado não apenas à preservação do artesanato, mas também à valorização da história local.
Em 2015, as Meninas Bordadeiras conquistaram o reconhecimento como Ponto de Memória, reforçando o papel que exercem como um verdadeiro museu vivo. Mariângela lembra que a visibilidade atual é fruto de décadas de trabalho silencioso. A gente ficou 53 anos lá sozinha. Agora alcançamos visibilidade e importância e as mulheres estão encantadas com tudo isso, afirma a coordenadora.
Da roça para a passarela
O potencial criativo do grupo também vem ganhando novas formas de expressão. Em julho deste ano, as artesãs apresentaram a Coleção Corações, inspirada nas paisagens, símbolos e afetos de Burarama. Lançadas durante a Festa da Imigração Italiana, as peças mostraram como a tradição pode dialogar com o design contemporâneo e abrir novas oportunidades para a geração de renda.
Um dos momentos mais marcantes dessa nova fase aconteceu no dia 18 de julho, durante a Festa da Imigração Italiana de Burarama. As criações da Coleção Corações desfilaram na passarela vestidas pelas candidatas ao Miss Cachoeiro de Itapemirim 2026. Para as artesãs, acostumadas a ver suas peças circulando principalmente dentro da comunidade, o desfile representou a confirmação de que o trabalho desenvolvido ao longo de décadas carrega valor cultural, artístico e econômico.
Reconhecimento institucional e geração de renda
O reconhecimento logo se transformou em novas oportunidades. O Sebrae/ES anunciou a encomenda de bolsas produzidas pelo grupo para serem utilizadas como presentes institucionais, ampliando a visibilidade do artesanato de Burarama para além das fronteiras do Estado. As bordadeiras também passaram a participar de feiras, exposições e eventos voltados ao fortalecimento do turismo e da economia criativa.
Para o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, a trajetória do grupo mostra que tradição e desenvolvimento podem caminhar lado a lado. As Meninas Bordadeiras preservam uma história de mais de cinco décadas e, ao mesmo tempo, criam produtos, experiências e novas possibilidades de geração de renda. É um exemplo de desenvolvimento construído a partir da identidade local e protagonizado pelas próprias pessoas do território, afirmou.
Os resultados dessa transformação vão além da geração de renda. Para muitas participantes, as novas atividades trouxeram experiências inéditas, como viajar, participar de eventos e ver o próprio trabalho admirado por pessoas de diferentes regiões, consolidando o grupo como referência de empreendedorismo feminino e cultura viva no interior do Espírito Santo.








