Repsol Sinopec vê risco de imposto sobre dividendos para investimentos
A vice-diretora financeira da Repsol Sinopec afirma que a cobrança de 10% sobre dividendos, somada à carga tributária existente, pode reduzir a atratividade de projetos de petróleo e gás no Brasil.

Divulgação
Tributação pode reduzir atratividade dos projetos
A cobrança de imposto sobre dividendos no Brasil pode comprometer novos investimentos da Repsol Sinopec no país. A avaliação foi apresentada por Gilberta Lucchesi, vice-diretora financeira da companhia, durante a ROG.e, evento de energia realizado no Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
Lucchesi destacou que as empresas brasileiras já enfrentam uma carga tributária elevada. Na visão da executiva, a soma dessa tributação com os 10% aplicados aos dividendos remetidos ao exterior pode reduzir a rentabilidade esperada e influenciar decisões sobre futuros projetos.
“No Brasil, temos uma taxa de imposto interna de 34%. Então, ter essa taxa de imposto interna de 34% mais 10% de imposto sobre dividendos pode comprometer os investimentos futuros”, afirmou durante o evento. A cobrança sobre dividendos distribuídos a acionistas no exterior passou a valer em janeiro de 2026.
Recursos podem migrar para outros mercados
A executiva ressaltou que não se opõe à tributação de dividendos, mas defendeu que a medida seja analisada dentro do conjunto da carga tributária suportada pelas empresas. Para ela, grupos internacionais com atuação em vários países tendem a comparar a rentabilidade de cada mercado antes de aprovar novos investimentos.
Nesse cenário, acionistas podem direcionar capital para outras regiões caso os projetos brasileiros deixem de oferecer retorno competitivo. A preocupação é especialmente relevante no setor de petróleo e gás, no qual os empreendimentos exigem aportes elevados e apresentam ciclos de maturação de vários anos.
Mudanças tributárias aumentam incerteza
Além do imposto sobre dividendos, Lucchesi citou alterações recentes que, segundo ela, elevam a insegurança para investimentos de longo prazo. Entre elas, destacou o imposto sobre exportações de petróleo bruto, cuja alíquota de 12% foi prorrogada por mais 60 dias a partir de 8 de setembro pelo Gecex, comitê ligado à Câmara de Comércio Exterior.
A sucessão de mudanças na política tributária dificulta a projeção de custos e retornos ao longo das diferentes fases de um projeto. Para as empresas do setor, a previsibilidade é considerada essencial porque as decisões de investimento envolvem estudos técnicos, licitações, perfurações e anos de desenvolvimento antes do início da produção.
Repsol Sinopec mantém aportes expressivos
Apesar das críticas ao ambiente tributário, a Repsol Sinopec continua comprometida com investimentos relevantes no Brasil. A companhia é uma joint venture criada em 2010 e formada pela espanhola Repsol, com 60% de participação, e pela chinesa Sinopec, responsável pelos 40% restantes.
Lucchesi citou como exemplo o projeto de gás Raia, localizado na Bacia de Campos. O empreendimento tem investimento total estimado em cerca de US$ 9,2 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 3,2 bilhões correspondem à fatia da Repsol Sinopec. A Repsol detém 35% do projeto, assim como a Equinor, enquanto a Petrobras participa com 30%.
Produção em Raia está prevista para 2028
O projeto Raia é operado pela Equinor e deve iniciar a produção em 2028. Sua trajetória ilustra a extensão dos ciclos de investimento no setor: a área foi adquirida em uma rodada de licitação em 2005, as descobertas ocorreram em 2010 e a decisão final de investimento foi tomada somente em 2023.
Para a executiva, projetos com horizonte tão longo dependem de estabilidade jurídica e regras tributárias previsíveis. O alerta da Repsol Sinopec não indica interrupção dos planos atuais, mas sinaliza que mudanças na tributação podem pesar na comparação entre o Brasil e outros destinos para o capital internacional.
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