Yduqs e Afya confirmam fusão e criam grupo educacional de R$ 9 bilhões
A operação reúne Afya e Yduqs em um grupo com cerca de 1,6 milhão de estudantes, expectativa de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em sinergias e dependência de aprovações regulatórias.

Divulgação
A Afya, ecossistema de educação em saúde e tecnologia médica, e a Yduqs, controladora da Estácio e do Ibmec, anunciaram um acordo de fusão que deve formar um dos maiores grupos educacionais do país. A companhia combinada terá cerca de 1,6 milhão de estudantes, 176 campi em 26 estados e uma avaliação de mercado aproximada de R$ 9,31 bilhões, calculada com base nos valores das duas empresas no dia do anúncio.
Operação depende de aprovações
A Afya será incorporada pela Yduqs e, em seguida, extinta. Os acionistas da Afya ficarão com 69% da nova companhia, enquanto os da Yduqs terão 31%. A operação ainda precisa de aprovação do Cade e de outros requisitos legais e regulatórios. As empresas estimam concluir o processo em até 12 meses após a assinatura, e a companhia continuará listada no Novo Mercado da B3.
Sinergias e resultados combinados
O grupo espera gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias, principalmente por meio da integração das operações, da redução de custos e do aproveitamento da capacidade comercial de ambas as empresas. Cerca de 80% desse potencial deverá ser implementado nos três primeiros anos após o fechamento da fusão.
Com base nos balanços divulgados até junho de 2026, a soma simples das empresas registra R$ 4,89 bilhões em receitas, R$ 3,26 bilhões em Ebitda, R$ 8,46 bilhões em dívida bruta e R$ 1,73 bilhão em caixa. A dívida líquida somada fica em aproximadamente R$ 6,73 bilhões. Esses indicadores não representam uma projeção do balanço da companhia resultante, pois não consideram eliminações contábeis, ajustes da transação ou os ganhos esperados com as sinergias.
Expansão dos negócios premium
Além do porte, a fusão deve alterar a composição do portfólio da Yduqs. Idomed e Ibmec, negócios ligados à saúde e à educação de maior valor agregado, respondiam por 32% da receita da companhia antes da operação. Com a incorporação da Afya, essa participação deve subir para 55%. O novo grupo terá aproximadamente 38 mil estudantes matriculados em cursos de medicina.
A estratégia também contempla ampliar a educação continuada para profissionais da saúde e desenvolver soluções digitais voltadas à prática médica. Entre os ativos da Afya está o Whitebook, plataforma de apoio à decisão clínica, que pode ganhar escala ao ser integrada à estrutura da Yduqs.
Gestão e distribuição de lucros
Virgilio Gibbon, atual CEO da Afya, comandará a companhia combinada. Rossano Marques, hoje à frente da Yduqs, ficará responsável pela área de ensino superior, exceto por medicina. Kay Krafft, da Bertelsmann Education, presidirá o conselho de administração. O grupo alemão Bertelsmann será o principal acionista, com 47,3% do capital; a família Esteves terá 7,6%, a Advent, 5,3%, e a família Zaher, 4,8%.
A operação também prevê a distribuição de pelo menos R$ 750 milhões em dividendos, condicionada ao cumprimento das exigências previstas no acordo. Para o setor de ensino superior, a fusão sinaliza uma nova etapa de consolidação, com maior foco em negócios especializados, tecnologia e geração de eficiência financeira.
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