Dívida global supera Us$ 365 trilhões com avanço puxado por emergentes
Endividamento mundial avançou mais de US$ 10 trilhões no primeiro semestre de 2026. Mercados emergentes concentraram grande parte da alta, enquanto governos enfrentam custos de financiamento próximos dos maiores níveis desde 2008.

Divulgação
A dívida global superou US$ 365 trilhões no primeiro semestre de 2026, com alta superior a US$ 10 trilhões no período. O avanço foi impulsionado principalmente pelos mercados emergentes, segundo dados divulgados em 23 de setembro pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
Emergentes concentram maior parte do aumento
O endividamento das economias emergentes cresceu US$ 6,5 trilhões e alcançou mais de US$ 110 trilhões. A China liderou esse movimento e continuou representando uma parcela relevante do volume total de obrigações desses países.
A expansão reforça a exposição das nações emergentes a mudanças nas condições financeiras internacionais. Juros elevados, oscilações cambiais e menor apetite dos investidores por ativos considerados mais arriscados podem aumentar o custo de rolagem da dívida e reduzir o espaço fiscal para investimentos públicos.
Proporção da dívida em relação ao PIB recua
Apesar do crescimento absoluto do endividamento, a relação entre a dívida global e o Produto Interno Bruto mundial caiu nos últimos anos. O indicador está em aproximadamente 310%, cerca de 25 pontos percentuais abaixo do pico registrado no início de 2021.
O IIF avalia que essa redução não decorre de uma diminuição relevante do volume devedor, mas principalmente do crescimento nominal da economia mundial. Em outras palavras, o PIB aumentou em valores correntes em ritmo suficiente para reduzir proporcionalmente o peso da dívida, embora o montante total continue em nível elevado.
Financiamento público fica mais caro
O cenário também é pressionado pelo encarecimento da captação pelos governos. Os custos médios de financiamento dos países do G7 estão nos patamares mais altos desde meados de 2008, período afetado pela crise financeira global.
Em 12 meses, economias avançadas pagaram mais de US$ 3,5 trilhões em juros sobre títulos públicos negociados internacionalmente. O valor supera os gastos globais estimados com inteligência artificial, de US$ 2,6 trilhões, defesa, de US$ 3,1 trilhões, e energia, de US$ 3,4 trilhões.
O aumento das despesas com juros pode limitar a capacidade dos governos de investir em infraestrutura, saúde, educação e transição energética. Para os mercados emergentes, o desafio é ainda maior, pois a necessidade de financiamento convive com riscos cambiais e maior sensibilidade aos fluxos internacionais de capital.
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