Real se descola do exterior com trade eleitoral e dólar fecha em R$ 5,10
Expectativas sobre a sucessão presidencial impulsionaram o real e fizeram o dólar fechar em queda, mesmo com a alta do petróleo e a maior probabilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos.

Divulgação
O real se descolou do movimento de alta do dólar no exterior e terminou a sessão em valorização. Mesmo em um dia marcado por maior aversão ao risco e pela forte elevação do petróleo, o dólar à vista fechou com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1027.
Expectativa eleitoral impulsiona a moeda brasileira
A apreciação do real ganhou força no fim da manhã, acompanhada pela melhora de ativos locais. Operadores associaram o movimento às expectativas de fortalecimento de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República e visto com maior favorabilidade pelo mercado financeiro.
Plataformas de previsões, como a Polymarket, indicavam crescimento das chances do candidato do PL. Também circulou no mercado a suspeita de vazamento de uma pesquisa da AtlasIntel com números favoráveis a Bolsonaro. No momento de maior euforia com o chamado trade eleitoral, a moeda americana caiu até R$ 5,0830.
O ritmo de valorização do real moderou durante a tarde, depois que a AtlasIntel divulgou um cenário de empate técnico em uma simulação de segundo turno. Nela, Flávio Bolsonaro apareceu com 46,4% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrava 46,2%.
Dólar recua apesar da força no exterior
Ao fechar em R$ 5,1027, o dólar acumulava queda de 0,55% na semana e de 1,49% em setembro, após alta de 2,16% em agosto. O real teve um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas, acompanhado pelo peso colombiano. A liderança ficou com o rublo russo, impulsionado pela valorização do petróleo.
Enquanto isso, o DXY, principal indicador do dólar no mercado internacional, avançava cerca de 0,30% e operava acima dos 99 pontos, sustentado principalmente pelo desempenho diante do iene. O euro também recuava, mesmo após o Banco Central Europeu elevar os juros em 0,25 ponto percentual.
“O real se descolou dos pares muito por conta do cenário eleitoral. O mercado se animou com o crescimento da oposição nas pesquisas e com a perspectiva de possível mudança da política fiscal”, avaliou Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2.
Petróleo e Fed aumentam cautela externa
Lá fora, o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos veio praticamente em linha com as projeções. As taxas dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, subiram em conjunto, e o retorno do papel de dois anos avançou mais de 10 pontos-base.
Ferramentas do CME Group passaram a indicar chance de quase 70% de alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica americana na reunião do Federal Reserve marcada para a próxima quarta-feira, 16. A possibilidade cresceu diante da nova arrancada do petróleo, que voltou a operar acima de US$ 100 e pode ampliar as pressões inflacionárias.
O contrato Brent fechou em alta de 6,34%, a US$ 107,63 o barril. Chiumento destacou que o índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI de agosto, será decisivo para a próxima reunião do Fed. Uma leitura acima do esperado poderia provocar uma alta mais intensa do dólar internacional e afetar o câmbio brasileiro.
Banco Central amplia liquidez cambial
O Banco Central realizou de manhã o chamado “casadão”, com venda de US$ 1 bilhão à vista e de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos, também equivalentes a US$ 1 bilhão. Seis propostas foram aceitas, mas operadores não identificaram influência relevante da operação na formação da taxa de câmbio.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, avaliou que o BC pode ter atuado para atender a uma demanda pontual por divisas, em meio à piora do fluxo cambial e ao aumento da volatilidade no cupom cambial durante o período eleitoral. Para ele, a moeda brasileira segue encontrando apoio na possibilidade de alternância de poder e na melhora recente da oposição nas pesquisas.
O economista, no entanto, ressaltou que a chamada superquarta pode reduzir o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Uma possível queda da Selic por aqui, combinada com a elevação dos juros americanos, tende a ser desfavorável ao real e pode limitar os ganhos da moeda brasileira no próximo ciclo.
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