Preço do petróleo sobe 3% após ataques no Oriente Médio
Petróleo Brent avança mais de 3% com temores de interrupção no fornecimento global após ataques no Oriente Médio, pressão sobre rotas de exportação e adiamento de negociações envolvendo Irã e países do Golfo.

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Mercado precifica risco de desabastecimento
Os preços do petróleo registraram alta superior a 3% nesta segunda-feira (14 de setembro de 2026), impulsionados pelo temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global. Ataques sucessivos no Oriente Médio e o adiamento de uma reunião diplomática entre países do Golfo e o Irã aumentaram a cautela entre investidores e elevaram o prêmio de risco nos contratos futuros.
Por volta das 4h30, no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 107,85 por barril, com ganho de 3,10%. O WTI, referência dos Estados Unidos, reached US$ 99,03, alta de 2,47%. A movimentação indica que o mercado começa a considerar um cenário de restrições mais duradouras, especialmente se rotas de exportação e infraestruturas estratégicas permanecerem fechadas ou operando com capacidade reduzida.
Oleoduto saudita preocupa o mercado
Operadores estimam que até 4% da oferta global de petróleo pode ficar comprometida caso o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita não seja reaberto nos próximos dias. A estrutura é uma das principais alternativas do reino para escoar petróleo bruto e reduzir a dependência direta de terminais localizados próximos ao estreito de Ormuz, passagem considerada vital para o comércio mundial de energia.
A preocupação aumentou após um ataque com drones lançado do Iraque atingir o oleoduto na semana anterior, obrigando as autoridades sauditas a interromper temporariamente uma rota importante de exportação. Ainda não há confirmação sobre a extensão dos danos, mas há relatos de que várias estações de bombeamento foram afetadas, o que pode tornar os reparos mais demorados.
Novos ataques ampliam a escalada
No fim de semana, os houthis reivindicaram um ataque com mísseis e drones contra uma base militar em Sharurah, na Arábia Saudita. O grupo afirmou ter atingido o alvo, mas o governo saudita não confirmou a informação. A imprensa estatal do país informou apenas que um projétil caiu na região de Jazan, sem detalhar danos ou feridos.
A ofensiva é vista como mais um capítulo da escalada entre a Arábia Saudita e grupos alinhados ao Irã. No domingo (13), uma organização britânica de monitoramento marítimo alertou que uma embarcação no estreito de Ormuz havia sido atingida por um projétil de origem desconhecida. Informações adicionais indicam que um navio cargueiro iraniano foi atingido perto da ilha de Qeshm, mas ainda não está confirmado se os dois registros se referem ao mesmo incidente.
Diplomacia perde força
O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, anunciou o adiamento da reunião prevista entre os Estados do Golfo e o Irã. A decisão foi atribuída à falta de consenso entre os participantes. O encontro deveria discutir um acordo envolvendo Omã e Irã sobre a gestão temporária da navegação no estreito de Ormuz, em meio à pressão por garantias de segurança nas rotas marítimas.
Com a diplomacia paralisada, o mercado passa a acompanhar a capacidade real de transporte e exportação no Golfo Pérsico. A alta do petróleo pode pressionar custos internacionais de energia e reacender preocupações com a inflação. No Brasil, qualquer reflexo nos combustíveis dependerá de fatores como câmbio, preços internos, carga tributária e estratégia das distribuidoras, mas o cenário externo já exige atenção de consumidores, empresas e formuladores de política econômica.
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