Brasil deve usar metais críticos para se reposicionar, defendem autores
Robert Laird e Kenneth Maxwell defendem que o país reduza a dependência comercial da China e transforme reservas de nióbio e terras raras em capacidade industrial estratégica.

Divulgação
O Brasil tem uma janela de no máximo dez anos para alterar sua posição nas relações internacionais. A avaliação é de Robert Laird e Kenneth Maxwell, autores do livro “O Brasil, a Austrália e a China no Mundo em Evolução”, publicado em 2026. Para eles, o país precisa superar o papel de fornecedor de commodities agrícolas e minerais e construir uma estratégia mais autônoma no comércio global.
Do fornecimento de matéria-prima ao processamento estratégico
Na análise dos autores, a dependência brasileira em relação à China limita a capacidade do país de negociar em condições mais favoráveis. Laird e Maxwell defendem que as reservas de nióbio e terras raras sejam tratadas como ativos geopolíticos e industriais, e não apenas como produtos destinados à exportação.
A proposta inclui investir em processamento avançado, tecnologia e cadeias produtivas nacionais. Dessa forma, o Brasil poderia vender minerais com maior valor agregado, participar de etapas mais sofisticadas da produção e reduzir a vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional de commodities.
Parcerias diversificadas ganham importância
O livro recomenda que essa estratégia seja sustentada por parcerias democráticas diversificadas. Para os autores, a ampliação das relações comerciais e tecnológicas com diferentes países permitiria ao Brasil equilibrar a influência chinesa e aumentar sua margem de decisão em temas econômicos e diplomáticos.
A Austrália é apresentada como referência comparativa. Embora também mantenha relações comerciais intensas com a China, o país australiano teria conseguido preservar maior autonomia internacional. Laird e Maxwell usam esse contraste para criticar o que chamam de “armadilha das potências médias”, situação em que um país relevante, mas dependente de grandes centros de poder, vê reduzida sua capacidade de formular uma agenda própria.
Brasil, China e Brics
Os autores também analisam a participação brasileira no Brics, bloco formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China, com adesão posterior da África do Sul. Na interpretação deles, o grupo tem sido utilizado para reforçar a agenda geopolítica chinesa, avaliação que reforça a defesa de uma política externa economicamente mais diversificada.
O governo de Donald Trump, do Partido Republicano, é citado como parte do novo cenário comercial. Segundo a análise da obra, a elevação das tarifas de importação pelos Estados Unidos em 2025 contribuiu para aproximar ainda mais o Brasil da China. O aumento das trocas comerciais com chineses e europeus em fevereiro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, é usado como exemplo da重新 configuração em curso.
Desafio industrial e tecnológico
Transformar reservas minerais em influência internacional exigirá mais do que ampliar a extração. Será necessário desenvolver pesquisa, infraestrutura, regras estáveis e capacidade de transformar matérias-primas em componentes estratégicos. Sem essa etapa, o Brasil continuaria exportando riqueza potencial e importando produtos de maior valor.
Com 328 páginas, “O Brasil, a Austrália e a China no Mundo em Evolução” reúne a visão de Laird, analista de defesa nos Estados Unidos, e Maxwell, historiador britânico reconhecido por seus estudos sobre o Brasil. A edição em português está disponível para compra online por R$ 55.
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