PF diz que Banco Central não confirmou créditos negociados por Master e Brb
Polícia Federal afirma que auditoria do Banco Central encontrou indícios de que carteiras cedidas ao BRB eram inexistentes. Banco público adquiriu R$ 12,2 bilhões em CCBs do Banco Master, sendo R$ 4,05 bilhões após questionamentos regulatórios.

Divulgação
A Polícia Federal (PF) informou que o Banco Central (BC) não conseguiu confirmar a existência dos créditos que originaram carteiras negociadas pelo Banco Master e posteriormente cedidas ao Banco de Brasília (BRB). Em documento sobre a auditoria conduzida pela autoridade monetária, a corporação afirma que a análise técnica encontrou indícios de que as operações não apresentavam lastro verificável.
Carteiras sem créditos confirmados
A investigação examina contratos relacionados às carteiras negociadas pela Tirreno, apontada pela PF como empresa de fachada controlada pela Sociedade de Crédito Direto Cartos. Ao descrever o trabalho do Banco Central, a corporação afirma que foram encontrados “indícios cabais” de que as carteiras cedidas ao BRB eram inexistentes.
“Nenhum crédito sequer pôde ser confirmado”, registra a PF ao resumir a conclusão da análise sobre os contratos que deram origem às operações. A afirmação indica falhas graves na comprovação dos ativos que serviram de base para as negociações entre as instituições financeiras.
BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em CCBs
Em outra representação, a PF informa que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) do Banco Master. O valor reúne o conjunto de operações tratado na peça investigativa, mas o documento sobre a auditoria do BC não estabelece que a ausência de confirmação corresponda necessariamente à totalidade desse montante.
Segundo a corporação, R$ 4,05 bilhões em CCBs foram comprados pelo banco público depois que o Banco Central já havia questionado a origem dos créditos. A PF também afirma que o BRB reconheceu ter adquirido carteiras sobre as quais era impossível realizar auditoria adequada devido à falta de documentos.
Compras ocorreram após alertas regulatórios
O BRB já respondia a questionamentos do BC sobre seus procedimentos de avaliação de crédito e de envio de informações à autoridade monetária. Em 10 de fevereiro de 2025, o banco assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) após a identificação de falhas na análise dos ativos e na documentação apresentada.
O acordo também previu a contratação de auditoria independente. Mesmo com essas exigências e com os questionamentos anteriores, o BRB avançou na aquisição das CCBs do Banco Master, conforme registrado pela PF.
Relação entre Tirreno e Cartos é investigada
A Tirreno aparece na investigação como responsável pela cessão, ao Banco Master, de créditos utilizados na produção das CCBs posteriormente negociadas com o BRB. De acordo com informações do BC e do próprio banco público citadas pela PF, esses créditos teriam sido originados por 20 correspondentes da Cartos.
A corporação sustenta haver indícios de que Tirreno e Cartos se confundiam operacionalmente. Entre os elementos citados estão a participação dos fundadores da Tirreno na sociedade da Cartos, a existência de um acordo operacional entre as empresas e a menção à Cartos como controladora da Tirreno em contrato firmado com o Banco Master.
A PF também investiga se a Cartos permitiu que o Master utilizasse seus bancos de dados para emitir CCBs referentes a créditos que já haviam sido cedidos a outros fundos de investimento. A informação será relevante para determinar a origem, a rastreabilidade e a eventual duplicidade dos ativos envolvidos nas operações.
A Sociedade de Crédito Direto Cartos foi procurada por e-mail, mas não apresentou manifestação até a conclusão do levantamento. As alegações da PF ainda precisarão ser avaliadas pelas autoridades competentes, com ampla possibilidade de defesa das instituições e pessoas envolvidas.
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