Petrobras recua em reajuste da gasolina horas após anúncio
Após anunciar alta total de R$ 0,63 por litro, a Petrobras corrigiu a decisão e manteve apenas o acréscimo de R$ 0,44 ligado ao fim do desconto subsidiado pelo governo. Com a desoneração de PIS/Pasep e Cofins, o custo líquido pago pelas distribuidoras deve cair R$ 0,19, sem garantia de repasse integral aos consumidores.

Divulgação
A Petrobras recuou na madrugada de 10 de setembro de 2026 de um aumento adicional de R$ 0,19 por litro na gasolina, anunciado poucas horas antes. A companhia informou que aplicará apenas o acréscimo de R$ 0,44 relacionado ao fim do desconto financiado pelo governo federal. Com a correção, o preço médio vendido às distribuidoras passará a R$ 3,05 por litro, e não aos R$ 3,24 previstos inicialmente.
Alta adicional é retirada após correção
Em comunicado, a estatal afirmou que a alteração no preço nos pontos de venda corresponderá somente à suspensão do desconto. A empresa tratou a mudança como uma correção da informação anterior e não apresentou detalhes sobre as razões do erro. O acréscimo extra de R$ 0,19, portanto, não será incorporado ao preço praticado no abastecimento das distribuidoras.
Fim da subvenção encerra desconto de R$ 0,44
Desde maio, a Petrobras vinha concedendo desconto de R$ 0,44 por litro por meio de subvenção federal. O valor era abatido do preço cobrado das distribuidoras e posteriormente ressarcido à companhia. A Medida Provisória 1.358 de 2026, que instituiu o benefício, perdeu a validade em 9 de setembro, permitindo a elevação correspondente ao valor integral anteriormente coberto pelo programa.
Até então, o preço médio da gasolina da Petrobras era de R$ 2,61 por litro já considerado o desconto. Com o encerramento da subvenção, esse valor sobe para R$ 3,05. A empresa manteve a reposição do benefício, mas abandonou o reajuste adicional que havia sido incluído no primeiro anúncio.
Redução de tributos supera o aumento da Petrobras
No mesmo dia, o governo anunciou a substituição da subvenção por uma redução de R$ 0,63 por litro na cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre a comercialização interna e a importação. O Decreto 13.116 de 2026 estabeleceu a nova carga tributária de R$ 0,16 por litro entre 10 de setembro e 9 de outubro. A medida foi viabilizada pela Lei Complementar 235 de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 27 de agosto.
Diante dos novos valores, a redução tributária supera em R$ 0,19 o aumento de R$ 0,44 aplicado pela Petrobras. Assim, o efeito líquido sobre o preço com tributos pago pelas distribuidoras será de queda de R$ 0,19 por litro. O primeiro comunicado da estatal, que previa alta total de R$ 0,63, anularia integralmente esse benefício na etapa de venda ao atacado.
Repasse às bombas não é automático
A redução ainda não garante queda equivalente para o consumidor final. O preço da gasolina nos postos também depende do etanol anidro misturado ao combustível, do ICMS, dos custos de transporte e das margens de distribuição e revenda. Esses componentes podem ampliar, reduzir ou até absorver o benefício tributário antes da chegada do produto às bombas.
Diesel aguarda publicação da nova subvenção
O governo também anunciou a assinatura de uma medida provisória que autoriza uma nova subvenção ao diesel, mas o texto ainda não havia sido publicado no Diário Oficial da União. A Petrobras informou que aguarda a publicação dos atos legais necessários para avaliar e implementar o benefício.
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