Ouro recupera patamar de Us$ 4.400 com alta do dólar e incertezas nos EUA
Metal precioso interrompe sequência de quedas e fecha em alta de 0,41% na Comex, impulsionado pela valorização da moeda norte-americana e reflexos nos Treasuries. Analistas alertam para fragilidade do movimento e dependência de dados econômicos futuros.

Após uma semana de fortes desvalorizações, o ouro conseguiu reverter o cenário e fechou em alta nesta quarta-feira (2), interrompendo a sequência negativa iniciada na última sexta-feira (28) e recolocando o metal na marca simbólica de US$ 4.400 por onça-troy. O contrato mais negociado do ativo na bolsa de Nova York (Comex) encerrou o dia com ganhos de 0,41%, cotado a US$ 4.414,6, enquanto a prata, também afetada pela volatilidade, avançou 0,15% e fechou a US$ 65,46 por onça-troy.
O movimento de recuperação ocorreu em meio a uma conjuntura marcada pela alta do dólar e pela elevação dos rendimentos dos Treasuries — títulos do governo norte-americano — que haviam pressionado os metais preciosos nas sessões anteriores. A dinâmica, entretanto, ainda é frágil, segundo analistas do mercado. "Os metais sofreram uma forte desvalorização com a valorização do dólar e a alta nos rendimentos dos Treasuries, mas conseguiram uma recuperação modesta", destaca análise do Sucden Financial. O relatório ainda ressalta que o ouro precisa consolidar o patamar de US$ 4.400 para evitar uma correção mais profunda, enquanto a incapacidade de sustentar a faixa de US$ 4.350 poderia abrir espaço para quedas mais acentuadas.
A prata, por sua vez, permanece em situação ainda mais delicada. Após uma queda mais expressiva, o metal necessitaria superar a barreira de US$ 66 por onça para recuperar o ímpeto de alta e afastar o risco de novas perdas. A trajetória dos dois metais segue atrelada a fatores externos, como a política monetária do Federal Reserve (Fed) e os reflexos nos mercados globais. "O próximo movimento dependerá fortemente do relatório de emprego dos EUA, previsto para sexta-feira (5)", projetam especialistas. Enquanto um novo aumento nos rendimentos dos Treasuries poderia manter os metais sob pressão, dados mais fracos no mercado de trabalho norte-americano poderiam atrair investidores de volta ao setor, em busca de ativos de proteção.
No front econômico, os dados divulgados nesta quarta-feira reforçam a incerteza. O setor privado dos Estados Unidos criou 38 mil empregos em agosto, segundo a ADP, número abaixo da expectativa de 46,5 mil postos, segundo consenso de analistas. O resultado, que ainda será ajustado sazonalmente, contribui para o cenário de cautela entre os agentes do mercado, que aguardam com atenção os indicadores oficiais do governo para definir o rumo da política monetária americana — e, consequentemente, o comportamento dos metais preciosos nos próximos dias.



