Ouro recua e depois recupera patamar de Us$ 4.400 com dólar e Treasuries em foco
Metal precioso interrompe sequência de quedas após alta de 0,41% na Comex, impulsionado por dólar forte e expectativas do mercado de trabalho nos EUA. Recuperação ainda é frágil e depende de novos dados econômicos.

O ouro, que vinha sofrendo fortes desvalorizações nos últimos dias, conseguiu interromper a sequência negativa e fechou em alta nesta quarta-feira (2), retornando ao patamar simbólico de US$ 4.400 a onça-troy. O movimento foi impulsionado pela valorização do dólar e pela dinâmica dos rendimentos dos Treasuries de dez anos, dois fatores que haviam pressionado o metal nos últimos pregões.
Na bolsa de Nova York, o contrato mais negociado do ouro para dezembro encerrou com alta de 0,41%, cotado a US$ 4.414,6 por onça. A prata, por sua vez, avançou 0,15%, chegando a US$ 65,46 por onça, mas ainda distante do patamar necessário para uma recuperação mais consistente, segundo analistas do setor.
Os especialistas do Sucden Financial destacam que a recuperação do ouro, embora modesta, ainda não é suficiente para reverter a tendência de queda registrada desde a última sexta-feira (28). O metal segue vulnerável a novos ajustes, especialmente se o dólar mantiver sua força ou se os rendimentos dos títulos do governo norte-americano continuarem em alta.
Pressão sobre o ouro pode aumentar com relatório de emprego nos EUA
O próximo movimento do mercado de metais preciosos deve ser definido pelo relatório de emprego dos EUA, que será divulgado nesta sexta-feira (4). Um cenário de geração de empregos acima do esperado poderia elevar ainda mais os rendimentos dos Treasuries, mantendo os metais sob pressão. Por outro lado, um resultado mais fraco do que o projetado poderia atrair compradores de volta ao mercado, buscando proteção contra a instabilidade.
Os dados preliminares do setor privado, divulgados hoje pela ADP, já sinalizam um cenário desafiador: a criação de apenas 38 mil empregos em agosto, bem abaixo da expectativa de 46,5 mil postos de trabalho. Essa diferença reforça a incerteza do mercado sobre a saúde da economia norte-americana e seu impacto nos preços dos metais.
Recuperação depende de sustentação acima de US$ 4.400
Para que o ouro consiga se estabilizar, é fundamental que o patamar de US$ 4.400 seja mantido nas próximas sessões. Caso contrário, o risco de uma correção mais acentuada aumenta, especialmente se a prata, já mais fragilizada, não conseguir superar a marca de US$ 66 por onça. Analistas alertam que, sem um sinal claro de retomada da demanda, o mercado pode seguir volátil nos próximos dias.



